As eleições de 2026 se aproximam e a expectativa para os partidos de esquerda no Nordeste é de uma redução no número de governadores eleitos em relação ao pleito de 2022. Naquele ano, seis governadores com vínculos à esquerda foram eleitos, enquanto a previsão atual aponta que, no melhor cenário, esse número pode cair para cinco.
A trajetória da esquerda na região é marcada por altos e baixos. O auge ocorreu em 2006, quando sete governadores de partidos como PT, PSB, PDT e PC do B conquistaram suas posições. Essa tendência foi reafirmada em 2014 e 2018, durante os mandatos do PT na presidência, que, segundo analistas, intensificou a presença da esquerda nos governos estaduais.
Historicamente, a presença da esquerda no Nordeste passou por um crescimento gradual a partir dos anos 2000, mas também enfrentou momentos de estagnação, como nas eleições de 1982 e 1990, quando não conseguiram eleger nenhum governador. O cenário atual levanta preocupações, especialmente para o PT, que atualmente conta com quatro governadores na região: Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará), Rafael Fonteles (Piauí) e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
Todos esses governadores buscam a reeleição, mas as pesquisas indicam que apenas Rafael Fonteles parece ter uma trajetória mais segura rumo à recondução ao cargo. Na Bahia, por exemplo, o partido está no poder há duas décadas, enquanto no Ceará, o PT lidera há 12 anos consecutivos. A pressão sobre esses líderes é intensa, pois os estados representam 11,54% do eleitorado nacional, tornando-se estratégicos para o futuro político do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em resposta aos desafios, Lula tem buscado formar alianças com partidos de centro em diversas localidades. Na Paraíba, por exemplo, seu apoio é direcionado ao candidato Lucas Ribeiro (PP), enquanto em Sergipe sua preferência é por Fábio Mitidieri (PSD), que é considerado o favorito para a reeleição.
A metodologia utilizada para essa análise se baseia nas pesquisas mais recentes de instituições reconhecidas, considerando apenas os candidatos que estão à frente nas sondagens. É importante frisar que empates técnicos não foram contabilizados, o que pode alterar a percepção pública sobre as possibilidades de vitória.
O que torna esse cenário ainda mais crítico é o fato de que o Nordeste se consolidou como um bastião de apoio ao lulismo. Mudanças negativas nesse panorama representam um desafio significativo para Lula, especialmente em sua busca pela reeleição. As disputas em estados-chave, como Bahia, Ceará e Pernambuco, podem ser decididas no primeiro turno, dificultando o aquecimento das campanhas que poderiam beneficiar o presidente.
Um cenário ainda mais preocupante para Lula seria a derrota de aliados. Caso figuras como ACM Neto (União Brasil), Ciro Gomes (PSDB) e Raquel Lyra (PSD) vençam em seus estados, eles não irão apoiar o presidente nas eleições, o que poderia prejudicar sua campanha e sua imagem.
As informações abordadas nesta reportagem foram previamente publicadas pelo Drive, uma newsletter focada em política e poder, produzida pela equipe de jornalistas do Poder360.




