BRB enxerga oportunidades em ativos do Banco Master

Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB), concedeu uma entrevista ao portal Metrópoles, onde abordou a situação financeira da instituição e a expectativa de recuperação através da venda de ativos adquiridos do Banco Master. De acordo com Souza, nem todos os ativos em questão são problemáticos, e a comercialização deles poderia trazer uma significativa injeção de capital ao banco, que é administrado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

O presidente explicou que, apesar de existirem ativos que já foram contabilizados como prejuízo, como a carteira da Tirreno, avaliada em R$ 2 bilhões, há outros que têm valor real e podem ser vendidos por preços adequados ao mercado. “É importante ter paciência para não realizar vendas com grandes deságios”, afirmou Souza.

Nova classificação pode abrir portas para o BRB

Além da venda de ativos, Souza mencionou uma nova possibilidade para a crise financeira do BRB, que está relacionada à recente mudança na classificação da Capacidade de Pagamento (Capag) do GDF. Essa reavaliação pode facilitar a obtenção de um empréstimo de R$ 6,6 milhões, que estava bloqueado devido a desentendimentos entre as partes envolvidas.

Segundo o presidente, a melhoria na classificação do GDF — que agora alcançou a nota “A” — é um sinal positivo que poderá permitir a União a fornecer um aval ao empréstimo solicitado. “Anteriormente, a classificação Capag C não permitia esse tipo de garantia, mas agora a situação é diferente”, destacou Souza.

Desafios e soluções para o empréstimo

A proposta que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio previa que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) concederia o empréstimo ao GDF, que, por sua vez, faria um aporte no BRB. Entretanto, a falta do aval dos bancos tem sido um obstáculo. Souza comentou que os bancos estão exigindo um maior respaldo jurídico em relação à utilização das contragarantias, além de levantarem questões decorrentes de relações bancárias.

Ele acredita, no entanto, que os obstáculos apontados são “itens solucionáveis” e que, com a nova classificação do GDF, o cenário pode se tornar mais favorável. “É um processo que depende da União, mas estamos otimistas quanto às soluções que podem surgir”, concluiu.