A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi condenada a pagar uma indenização de R$ 4 mil a uma ex-aluna trans, após um episódio constrangedor ocorrido durante sua cerimônia de formatura em 2022. O evento, que deveria celebrar a conclusão de seus estudos em teatro, foi marcado por um erro que resultou na chamada do nome de registro civil da estudante, ao invés do nome social que já havia sido formalmente reconhecido pela instituição desde 2021.

A ex-aluna, identificada como Mar Dias Rosa, inicialmente havia solicitado R$ 25 mil em reparação, mas a Justiça encerrou o processo com a indenização em um valor menor, resultando em R$ 4 mil. Em declaração ao portal Mais Goiás, Mar expressou satisfação com a decisão, enfatizando que, embora o valor não tenha atendido suas expectativas, o simbolismo da sentença representa um avanço significativo na busca por direitos e reconhecimento da comunidade LGBTQIA+.

Durante a cerimônia, quando o nome civil foi anunciado publicamente, Mar relatou que a situação não apenas causou constrangimento, mas também ativou gatilhos psicológicos. Segundo ela, houve entendimento prévio com a direção da UFG para que fosse chamada pelo nome social, o que torna o erro ainda mais impactante. “Uma amiga percebeu o erro e imediatamente foi até a oradora para solicitar a correção. Não foi a UFG que se manifestou, mas sim uma amiga que pediu”, lembrou Mar, que também buscou atendimentos psicológicos devido ao impacto emocional do incidente.

A UFG, por sua vez, reconheceu o erro durante a cerimônia e se desculpou imediatamente após o chamado incorreto. A instituição argumentou que o erro foi corrigido em poucos minutos e que o sistema no momento não permitia a emissão do diploma com o nome social. Em nota, a universidade reafirmou seu compromisso com os direitos de todos os alunos e destacou que há mais de uma década implementa políticas de ações afirmativas voltadas à comunidade trans, incluindo o uso de nome social em documentos oficiais, cotas e programas de apoio.

Com a condenação, a UFG reafirma sua intenção de promover um ambiente mais inclusivo e respeitoso, mesmo diante dos erros cometidos, e espera que a decisão contribua para aumentar a conscientização sobre os direitos da comunidade LGBTQIA+ nas instituições de ensino.