O Tribunal do Júri do Recanto das Emas realiza, nesta quarta-feira, o julgamento do ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, popularmente conhecido como Adão Xavier. O ex-parlamentar responde pela acusação de ter sido o mandante do homicídio do jovem Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, ocorrido em março de 2004. O réu aguarda a deliberação da Justiça em liberdade.
O processo chega ao plenário após uma série de adiamentos que prolongaram o desfecho do caso. A sessão mais recente, prevista para o início de setembro, acabou postergada em virtude de complicações de saúde do magistrado responsável. Trata-se do quarto adiamento do julgamento, motivado no passado por questões administrativas e readequações na estratégia defensiva do acusado.
As motivações e a tese da acusação
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime teria sido motivado por ciúmes. O ex-parlamentar, casado há 14 anos à época do fato, suspeitava que sua esposa mantivesse relacionamentos extraconjugais com jovens da região. A acusação sustenta que o ex-deputado encomendou a execução do adolescente pelo valor de R$ 15 mil.
Entre os principais elementos que compõem o histórico da investigação, destacam-se:
- O corpo da vítima foi localizado com marcas de tiros próximo a uma parada de ônibus no Recanto das Emas;
- O crime ocorreu mesmo após o encerramento do suposto vínculo entre o jovem e a esposa do acusado, decorrente de ameaças anteriores;
- A investigação original foi conduzida por unidades especializadas em homicídios da Polícia Civil do Distrito Federal.
Anulação de condenação e trajetória política
Carlos Xavier chegou a ser condenado anteriormente a 15 anos de prisão pelo assassinato do adolescente. Tal veredito resultou na cassação de seu mandato, tornando-o o primeiro distrital da história da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) a perder o cargo por condenação criminal.
Contudo, em 2024, a Justiça determinou a anulação daquela decisão após a defesa juntar novos documentos aos autos, incluindo depoimentos de policiais civis que atuaram no inquérito original. Com isso, o rito processual foi zerado para a realização deste novo júri.
Com três mandatos cumpridos no Legislativo do DF nos anos 1990 e 2000, Xavier foi o autor da norma legal que instituiu o Dia do Evangélico no calendário do DF. O ex-deputado mantém articulação pública e articula seu retorno à política nas eleições de 2026 pela legenda Democracia Cristã.




