Bastidores de uma prisão anunciada. Em meio ao colapso do Banco Master e às vésperas de sua intervenção oficial, a cúpula do Banco Central do Brasil operava sob alerta máximo. Documentos da Polícia Federal revelam que o empresário Daniel Vorcaro afirmara expressamente dispor de seis estratégias distintas para se esquivar da ação das autoridades federais. A revelação consta no depoimento prestado por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária, em oitiva realizada em meados de 2026.

Segundo o relato obtido pelos investigadores, o aviso sobre os planos do banqueiro partiu do então diretor de Fiscalização do órgão regulador, Ailton de Aquino. Logo nas primeiras horas da manhã em que a liquidação da instituição financeira foi decretada, comunicados internos alertavam os técnicos não apenas sobre o encerramento das operações do banco e prisões em andamento, mas também sobre o alto risco de fuga do controlador da instituição.

Mapeamento de inteligência e interceptação no aeroporto

Embora interlocutores do sistema financeiro repercutissem a tese das seis rotas mencionadas pelo executivo, o trabalho de inteligência da Polícia Federal identificou, de forma concreta, pelo menos três itinerários aéreos simultaneamente estruturados para retirar Vorcaro do território nacional. A rede de monitoramento constatou movimentos atípicos e contatos frenéticos nas horas que antecederam a deflagração da operação.

No mesmo dia em que o plano de contenção foi acionado, o banqueiro manteve intensas interlocuções com altos quadros da supervisão bancária, incluindo discussões formais sobre a tentativa frustrada de alienar o Banco Master ao Grupo Fictor. A articulação, contudo, não foi suficiente para deter o avanço do aparato judicial.

  • Dia decisivo: Ações coordenadas resultaram na liquidação da instituição e no cumprimento de mandados de prisão.
  • Destino final: Vorcaro foi interceptado no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, prestes a embarcar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
  • Efeito dominó: A crise exigiu atuação emergencial dos técnicos para mitigar impactos na liquidez do mercado financeiro regional.

Desdobramentos na cúpula do Banco Central

Os depoimentos prestados à Polícia Federal lançam luz sobre o grau de proximidade e a frequência das interações entre executivos de instituições sob intervenção e o corpo diretivo do Banco Central. A convicção dos investigadores é que o monitoramento constante impediu que as rotas traçadas culminassem na evasão com sucesso do banqueiro do país.

O caso segue sob apuração rigorosa no âmbito das investigações sobre irregularidades no sistema financeiro, enquanto a Polícia Federal analisa o material apreendido e consolida os relatórios de inteligência que desmantelaram as estratégias de fuga do empresário.