Em um movimento estratégico que reverberou nos corredores do poder em Brasília, o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, na última quarta-feira (9 de setembro de 2026), duas petições cruciais junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é claro: exigir a imediata abertura das investigações relacionadas ao Banco Master, que atualmente tramitam sob sigilo judicial.
Os documentos foram direcionados aos gabinetes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, ambos responsáveis por conduzir diferentes aspectos das complexas apurações que circundam a instituição financeira. A iniciativa do PT não é isolada; ela emerge em um momento de crescente articulação pública, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do partido incorporando a demanda por transparência em seus discursos recentes.
O Pedido de Abertura e o Cenário Político-Eleitoral
A ofensiva petista, segundo fontes internas do partido, está intrinsecamente ligada à percepção de um tratamento desigual nas investigações. Há uma forte associação entre a atuação do ministro André Mendonça na condução dos inquéritos e a manutenção do sigilo em informações que, alegadamente, poderiam envolver o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A legenda sustenta que a divulgação fragmentada de documentos, que por vezes atinge adversários políticos de Flávio Bolsonaro, enquanto aspectos sensíveis que o envolvem permanecem sob reserva, cria um desequilíbrio eleitoral. Para o PT, essa "publicidade em mosaico" — onde dados isolados vêm à tona sem o contexto completo da investigação — distorce o debate público e pode manipular a opinião do eleitorado, a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
As Frentes de Investigação e os Alvos do Partido
O ministro André Mendonça é o condutor de inquéritos que abrangem desde repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse", uma produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), até apurações sobre supostas irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o próprio Banco Master. Para Mendonça, o PT solicitou a abertura de nove processos, dada a abrangência de suas investigações no caso.
Por sua vez, o ministro Flávio Dino tem sob sua alçada investigações relacionadas a emendas parlamentares que teriam conexões com o Banco Master, incluindo a possibilidade de desvio de recursos para financiar o já mencionado filme sobre Bolsonaro. O pedido direcionado a Dino foi mais conciso, buscando a abertura de apenas quatro processos, entre eles os que tratam da prisão de Vorcaro e da aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Em ambas as petições, os advogados do PT ressalvam que a quebra do sigilo não deveria comprometer dados pessoais de terceiros, diligências em andamento ou o conteúdo de delações premiadas, garantindo que esses elementos essenciais à justiça permaneçam protegidos.
A Voz do Presidente: Lula e a Demanda por Transparência
No mesmo dia em que as petições foram protocoladas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou publicamente a urgência da abertura de todos os sigilos relacionados ao Banco Master. Lula classificou o caso como "o maior crime financeiro da história do Brasil" e enfatizou a necessidade imperativa de o país conhecer o conteúdo integral das apurações. A preocupação com a interferência eleitoral de informações divulgadas de forma parcial e descontextualizada foi um ponto central em sua manifestação.
O partido e seus advogados argumentam que, em investigações de grande interesse público, a transparência deve ser a regra. A divulgação completa dos autos, defendem, seria uma medida eficaz para mitigar os efeitos de vazamentos seletivos, que podem criar um desequilíbrio inaceitável entre os candidatos em uma disputa eleitoral acirrada.
Precedente Jurídico: A Operação Spoofing
Para fundamentar sua solicitação, as petições do PT citam como precedente a emblemática Operação Spoofing, que revelou mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato. O próprio presidente Lula fez a mesma referência em seu posicionamento.
O partido recorda que, em 2020, o então ministro Ricardo Lewandowski autorizou o acesso da defesa de Lula às mensagens apreendidas na operação. Na ocasião, a Segunda Turma do STF estabeleceu que tais diálogos não estavam protegidos pelo sigilo quando relacionados ao exercício de funções públicas. Para o PT, este precedente jurídico reforça a tese de que o interesse público pode e deve prevalecer, especialmente quando as informações envolvem agentes públicos e fatos diretamente ligados ao desempenho de suas atribuições.



