Uma apuração conduzida pela Polícia Federal trouxe à tona detalhes sobre uma articulada estratégia de comunicação destinada a moldar a percepção pública e interferir nos desdobramentos jurídicos e administrativos do caso Banco Master. Batizada nos bastidores de Projeto DV — em alusão às iniciais do fundador da instituição, Daniel Vorcaro —, a iniciativa buscava desviar o foco das autoridades regulatórias e influenciar posicionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU).
A investigação foi formalizada por meio do Inquérito 5.035, instaurado no final de janeiro de 2026 sob a condução da delegada Nathalia Ribeiro Leite Silva. Segundo os documentos oficiais da corporação, o plano contava com o engajamento pago de criadores de conteúdo e perfis em redes sociais para propagar relatórios e opiniões desfavoráveis ao Banco Central, atribuindo à autoridade monetária a responsabilidade pelo colapso e pelas medidas punitivas aplicadas à instituição privada.
Engrenagem digital e contratação de influenciadores
De acordo com os elementos reunidos pela inteligência policial, o esforço publicitário operava em duas frentes centrais: conter os avanços das diligências e constranger os julgamentos em curso nas instâncias máximas do Poder Judiciário e do controle externo. A apuração detalha que agentes intermediários faziam o recrutamento de produtores de conteúdo digital, fornecendo roteiros e links predeterminados para assegurar o alinhamento da narrativa.
Empresas especializadas em relações públicas e marketing, como a Miranda Comunicação (conhecida como Agência MiThi) e a GroupBR, figuram nas análises dos investigadores como pontes do esquema. Transações financeiras levantadas pela equipe técnica indicam pagamentos diretos efetuados por executivos de comunicação a influenciadores dispostos a publicar críticas ao Banco Central. Embora o levantamento preliminar evidencie a clara convergência entre a mobilização e os interesses de Vorcaro, a Polícia Federal ressalta que ainda apura o grau de comando direto exercido pelo empresário sobre cada contratação efetuada.
Desdobramentos e o cenário judicial
As descobertas que fundamentam o novo procedimento derivam de levantamentos prévios que mapearam tanto denúncias públicas de profissionais de mídia assediados pela proposta quanto análises de engajamento atípico em plataformas virtuais. O órgão policial enxerga indícios de atuação estruturada que podem caracterizar enquadramento na Lei das Organizações Criminosas, além de potenciais delitos correlatos a serem tipificados no decorrer da instrução.
A ofensiva digital investigada surge como um desdobramento da Operação Compliance Zero, deflagrada no fim de 2025 para apurar supostas irregularidades e fraudes no âmbito do Banco Master. Recentemente, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, chancelou a continuidade dos trabalhos periciais e das checagens de campo, impondo restrições rígidas para o compartilhamento de dados informativos no âmbito do inquérito para evitar vazamentos e resguardar o devido processo legal.




