O braço internacional do litígio relativo ao desastre ambiental de Mariana ganhou um novo capítulo procedimental na Inglaterra. O Tribunal Superior de Londres (High Court) determinou a realização de uma audiência especial, agendada para os dias 5 e 6 de outubro de 2026, a fim de mediar o impasse jurídico instaurado entre dois influentes escritórios de advocacia internacional: o Pogust Goodhead (PG) e o Bailey Glasser International (BGI).
Ambas as firmas disputam a hegemonia no patrocínio das causas de atingidos pelo colapso da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. O volume do contencioso no exterior é expressivo: a ação coletiva engloba cerca de 380 mil requerentes, somando cidadãos, instituições e diversos municípios espalhados pelos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Impasse procedimental e o histórico da responsabilidade da BHP
A intervenção da Justiça britânica busca dirimir divergências operacionais sobre qual escritório possui legitimidade formal para representar determinados grupos de lesados. Historicamente, a condução desse processo massivo perante o judiciário inglês esteve centralizada no Pogust Goodhead. Sob essa representação, o tribunal de Londres emitiu, em novembro de 2025, uma decisão de grande impacto ao reconhecer a responsabilidade jurídica da multinacional BHP pelo desastre.
Sediada no Reino Unido, a BHP mantinha o controle da mineradora Samarco em conjunto com a brasileira Vale. A posterior ascensão do escritório BGI na representação de parcelas das vítimas gerou sobreposições e atritos contratuais que agora demandam um alinhamento perante o juiz inglês.
Próximas etapas do julgamento e estimativa temporal
O cronograma estipulado pela corte prevê que a fase seguinte — voltada especificamente para a liquidação e mensuração individualizada dos prejuízos sofridos por cada integrante do processo — tenha início em abril de 2026. Devido à imensa complexidade de instrução probatória e ao número massivo de autores, a expectativa do meio jurídico é de que a apuração dos valores indenizatórios se estenda por múltiplos anos.
Apesar de apresentarem análises divergentes sobre os desdobramentos operacionais da audiência de outubro, tanto o PG quanto o BGI avaliaram a manifestação do tribunal como um passo positivo. Para especialistas que acompanham o litígio transnacional, a consolidação da representação defensiva é indispensável para garantir a higidez processual e o avanço das compensações às populações afetadas.




