Após uma longa espera de quase seis meses, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, finalmente publicou uma lista com os hóspedes que utilizaram as residências oficiais do país em diversas embaixadas no exterior. A relação, que inclui a primeira-dama Rosângela da Silva, popularmente chamada de Janja, e seus assessores, abrange também uma variedade de personalidades, como ministros, deputados, um senador, um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, artistas, líderes de ONGs, militares e diplomatas.
Ao todo, a lista conta com o nome de 227 pessoas que se hospedaram nas residências oficiais em 386 ocasiões, totalizando 1.419 dias, o que equivale a cerca de três anos e dez meses de estadias. Os dados cobrem um período que se inicia em 1º de janeiro de 2023 e se estende até 29 de julho do mesmo ano, abrangendo 20 das principais capitais do mundo, incluindo cidades como Berlim, Bruxelas, Cidade do Vaticano, Paris e Nova York.
Dentre os hóspedes, destaca-se a presença do ex-presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que esteve em Roma em 2024, além de figuras como o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que se hospedaram em Madri. A própria Janja também aparece na lista, tendo se hospedado na embaixada brasileira em Roma em duas ocasiões, em abril e outubro de 2025, acompanhada pelo presidente Lula. Outras estadias de Janja incluem Paris, onde esteve durante a abertura dos Jogos Olímpicos de 2024.
Notavelmente, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi a hóspede que mais tempo permaneceu nas residências oficiais, totalizando 47 dias em Roma durante uma missão oficial em setembro do ano passado. Durante esse período, Marina se hospedou na embaixada brasileira de 30 de agosto a 2 de outubro. Além de Roma, ela também utilizou as residências em Buenos Aires, Berlim, Washington e no Vaticano.
A divulgação dessa lista se deu após um pedido feito por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que, inicialmente, foi negado pelo Itamaraty em duas ocasiões. Somente após uma determinação da Controladoria-Geral da União (CGU) o Ministério se viu obrigado a responder ao pedido. Vale destacar que a lista disponibilizada é parcial, incluindo apenas os hóspedes que viajaram com recursos públicos. A CGU esclareceu que nomes de visitantes em missões pessoais não precisam ser divulgados, considerando que se tratam de atividades privadas.
A partir do pedido inicial, realizado em fevereiro, o Itamaraty argumentou que atender à solicitação seria “desproporcional” e que requereria um número excessivo de servidores para compilar as informações necessárias. Entretanto, após a insistência da reportagem e a determinação da CGU, foi possível obter dados sobre as estadias, revelando a utilização das residências oficiais como forma de reduzir custos com hospedagem em viagens internacionais.
A lista completa dos hóspedes está disponível para consulta em formato .xlsx.




