A corrida eleitoral de 2026 já começa a esquentar com a presença de advogados que estiveram na linha de frente da defesa de condenados pela trama golpista de 8 de Janeiro. Estes profissionais, que têm vínculos diretos com o caso, são candidatos pelo Partido Novo, levantando questionamentos sobre a ética e a integridade das candidaturas.
Entre os postulantes destaca-se Jeffrey Chiquini, que se apresenta como candidato a deputado federal no Paraná e defende Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto da referida trama. A sua atuação na defesa de Martins, que é um dos principais envolvidos no processo, traz à tona debates sobre a Justiça e suas implicações no cenário político atual.
Outro nome a ser mencionado é Sebastião Coelho, um ex-desembargador que também defendeu Martins e agora busca uma vaga no Senado pelo Novo no Distrito Federal. Coelho já teve um momento conturbado durante uma audiência no STF, quando foi detido por desacato ao ministro Alexandre de Moraes, o que pode criar repercussões sobre sua candidatura.
No Ceará, Carolina Siebra, que representa a Associação de Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, também entra na disputa como candidata a deputada federal. Sua presença no cenário político é emblemática, considerando sua conexão com as vítimas dos eventos de 8 de Janeiro, e pode trazer à tona questões relevantes sobre a reparação e a justiça.
Em São Paulo, Fábio Pagnozzi, advogado de Carla Zambelli, está concorrendo a uma vaga na Câmara dos Deputados. Zambelli foi condenada pelo STF a longas penas de prisão por sua participação em crimes relacionados ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma. Pagnozzi representa uma continuidade do envolvimento legal em casos polêmicos, acentuando as controvérsias ao redor de sua candidatura.
Além disso, Matheus Milanez, advogado do general Augusto Heleno, que foi condenado a 21 anos de prisão, recentemente retirou sua candidatura a deputado federal. Milanez alegou motivos pessoais para sua desistência, embora tenha enfrentado acusações de violência doméstica, o que complica ainda mais sua imagem pública.
Essas candidaturas suscitam um debate acirrado sobre a relação entre o direito e a política, especialmente em um cenário marcado por investigações e condenações que envolvem figuras proeminentes do governo anterior. À medida que se aproxima o pleito, o público aguarda para ver como essas questões serão abordadas pelos candidatos e suas equipes.




