Na última quinta-feira (20), um homem de 41 anos foi preso em Ceilândia, no Distrito Federal, devido à sua suposta participação em atos de racismo e apologia ao crime em plataformas digitais. A detenção foi conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, e Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

O homem foi alvo da Operação Vox Odii, cujo nome em latim se traduz como "A Voz do Ódio", que cumpriu um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão, ambos expedidos pela 2ª Vara Criminal de Santa Maria, no DF. A investigação revelou que ele tinha um histórico de publicações com conteúdo racista e odioso.

O primeiro incidente registrado ocorreu no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, quando ele deixou comentários incitando discriminação e desprezo em uma postagem da PCDF, utilizando preconceito relacionado à cor de uma policial exibida na imagem. Durante a apuração, a Decrin identificou outras ocorrências em que o homem postou vídeos e comentários hostis direcionados a diversos grupos, incluindo mulheres, pessoas negras, nordestinos, mato-grossenses e mineiros.

A PCDF informou que, em três datas de julho, o indivíduo publicou conteúdos que poderiam ser considerados como apologia ao crime e racismo. Em um dos vídeos, expressou: “Eu não gosto dessas cachorras, dessas nordestinas. Eu não gosto de nordestinos. Me deixem em paz”. Esta não era a primeira vez que ele havia sido indiciado; em junho, já enfrentava acusações por crimes de ódio em redes sociais, envolvendo discriminação racial e de gênero.

De acordo com a delegada da Decrin, Thalita B. Nóbrega, o homem tem proferido discursos agressivos há meses, atacando mulheres e nordestinos, entre outros grupos minoritários. A Justiça, ao expedir o mandado, avaliou a periculosidade do detido em relação à convivência social.

A prisão foi realizada em sua residência, onde os policiais encontraram um celular que, segundo a investigação, poderia ter sido usado para a prática dos crimes. Além disso, foram descobertas mensagens de ódio escritas à mão em uma das paredes do imóvel, que continham frases como: “Aquilo ali tem que ser cumprido com todo rigor até o último dia da minha vida. Todo ódio que houver no meu coração é pouco.” Essa parede era também a mesma que aparecia de fundo nos vídeos postados pelo investigado.

O homem enfrentará acusações de apologia pública ao crime e incitação à discriminação racial ou religiosa, conforme estabelece a Lei do Racismo. Caso seja condenado, ele pode enfrentar penas que superam os 10 anos de reclusão.