Um sonho que começou na Goiânia dos anos 60
Na Goiânia da década de 1960, Francisco Ludovico de Almeida Neto tinha um sonho: construir um hospital que pudesse atender a população. Para tornar essa ideia viável, ele decidiu vender a Rádio e a TV Anhanguera por 8 milhões de cruzeiros ao grupo de O Popular, que era liderado por Jaime Câmara. Essa quantia, porém, não foi suficiente para finalizar a obra, o que o levou a vender um armazém e duas fazendas da família, além de buscar empréstimos para cobrir os custos.
O Hospital Santa Genoveva foi inaugurado em 1970, contando com 20 apartamentos e a colaboração de cinco médicos. Desde então, a instituição se destacou na área de cardiologia e transplantes, tornando-se um importante centro de referência até seu fechamento em 2017.
A Fundação da Faculdade de Medicina de Goiás
Francisco Ludovico concluiu seu curso de medicina no Rio de Janeiro e, em 1951, decidiu retornar a Goiás, influenciado pela sua mãe a criar oportunidades para jovens locais. Essa decisão culminou na fundação da Faculdade de Medicina de Goiás, contribuindo para a formação de novos profissionais na área.
O primeiro vestibular da instituição, realizado em abril de 1960, atraiu 179 candidatos e aprovou 33, consolidando a presença de Ludovico entre os pioneiros da medicina em Goiás.
Desafios financeiros e a inclusão da TV na história
Inicialmente, Francisco sonhou em construir um hospital de clínicas que integrou ensino e pesquisa, com acesso a pacientes de diferentes classes sociais. Contudo, ao solicitar apoio financeiro ao governo, a resposta negativa o obrigou a reduzir suas ambições e abrir a Clínica Santa Genoveva em 1964. Nesse período, ingressou no setor de comunicação ao adquirir a Rádio Anhanguera, seguida pela compra da TV Anhanguera para apoiar a campanha de seu pai ao governo de Goiás em 1960, embora essa tentativa não tenha sido bem-sucedida.
A venda e a construção do hospital
Após as eleições de 1962, Francisco anunciou a venda das suas emissoras a Jaime Câmara, e com os 8 milhões de cruzeiros resultantes da venda, iniciou a construção do hospital. O Santa Genoveva, que começou com 20 leitos, cresceu para 150, incluindo 20 leitos de UTI e mais de 200 médicos em seu quadro.
O legado e o fechamento do hospital
O hospital foi responsável por vários marcos na medicina de Goiás, incluindo a primeira cirurgia cardíaca do estado e o primeiro transplante de coração em 1992. Contudo, enfrentou dificuldades financeiras e entrou em recuperação judicial em 2016, encerrando suas atividades no ano seguinte. A falência foi decretada em 2019, e, apesar de tentativas de venda e reestruturação, o hospital permaneceu fechado.
Enquanto isso, a TV Anhanguera continua operando, destacando a complexidade da trajetória de Francisco Ludovico e o legado do Hospital Santa Genoveva, que representa não apenas um sonho realizado, mas também os desafios enfrentados ao longo do caminho.




