Em 2025, Goiás registrou um aumento alarmante no número de nascimentos de crianças cujas mães têm entre 10 e 14 anos. Ao todo, foram contabilizados 330 nascimentos, o que equivale a quase um bebê por dia, representando um crescimento de 13,4% em comparação ao ano anterior, quando foram registrados 291 casos.

Esses dados, provenientes do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), revelam que, em 2025, 97 municípios goianos tiveram pelo menos um nascimento nessa faixa etária, um aumento de três cidades em relação a 2024.

Cidades com Maior Crescimento

O município de Luziânia destacou-se com o maior aumento absoluto, passando de apenas quatro nascimentos em 2024 para 24 em 2025, totalizando um incremento de 20 casos. Aparecida de Goiânia também apresentou um crescimento significativo, com os registros subindo de 22 para 36.

Outros municípios que se destacaram incluem Águas Lindas de Goiás, com um salto de um para nove nascimentos, e Valparaíso de Goiás, que elevou seus números de três para nove. Anápolis também registrou um aumento, passando de 11 para 15 casos.

Concentração dos Nascimentos

Os dados mostram que a concentração dos nascimentos de mães adolescentes está majoritariamente em três cidades: Goiânia, Aparecida de Goiânia e Luziânia. Goiânia lidera a lista com 38 nascimentos, seguida por Aparecida de Goiânia com 36 e Luziânia com 24. Juntas, essas cidades representam quase 30% do total de nascimentos de mães menores de idade no estado.

Em contraste, a capital goiana, Goiânia, embora ainda mantenha a liderança, apresentou a maior queda no número de nascimentos na faixa etária, passando de 46 em 2024 para 38 em 2025, o que representa uma diminuição de 17,4%. Outras cidades como Cristalina e Jataí também registraram reduções significativas.

Variações por Macrorregiões

A análise das macrorregiões de saúde em Goiás revela que o Nordeste teve a maior variação percentual, com 91 casos em 2025, um crescimento de 71,7% em relação aos 53 registros de 2024. O Centro Norte também apresentou um aumento de 30%, enquanto o Centro Oeste foi a região com a maior redução, caindo 20,5%.

Contexto Histórico e Vulnerabilidade

Apesar do aumento recente, os números de 2025 ainda estão muito abaixo do pico histórico de nascimentos de mães de 10 a 14 anos, que ocorreu em 1997, com 1.066 registros. Os dados mais recentes indicam uma queda de aproximadamente 69% em relação a esse ano.

É importante destacar que os dados do Sinasc refletem apenas os nascidos vivos e não o total de gestações, o que significa que o número de meninas que engravidaram pode ser maior. Além disso, a legislação brasileira considera relações sexuais com menores de 14 anos como estupro de vulnerável, o que levanta questões importantes sobre a proteção e os direitos das crianças e adolescentes.

Com o aumento dos registros, é fundamental que as políticas públicas e a proteção social sejam revisadas e fortalecidas para atender essas jovens e suas realidades, a fim de garantir uma infância mais segura e saudável.