Denúncias de Controle e Abusos Dentro da Igreja Mórmon
Ex-membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, popularmente conhecida como Igreja Mórmon, estão se unindo para trazer à tona relatos alarmantes sobre controle mental, exploração financeira e práticas religiosas controversas. As declarações, coletadas por diversas fontes, revelam a existência de rituais secretos e uma cultura de intimidação, onde os fiéis são levados a acreditar em punições severas, incluindo simulações de violência extrema.
As denúncias incluem também a prática de batismo de pessoas falecidas sem o consentimento de seus familiares, além de um endosse ao racismo e uma estrutura patriarcal que marginaliza as mulheres dentro da comunidade.
Relatos de Ex-Membros
Carlos Alberto Dutra Fraga Filho, um ex-membro da igreja que passou uma década vinculado à organização, compartilha sua experiência em um livro que descreve como a doutrina e as interações com os líderes da igreja afetaram sua vida pessoal. Segundo ele, a busca espiritual inicial se transformou em pressão e manipulação, especialmente durante o processo de separação de sua esposa. Fraga Filho relata que a cúpula da igreja interferiu em seu relacionamento, o que culminou em um rompimento definitivo, deixando-o com a sensação de que sua esposa havia sido “roubada”.
Ele também afirma ter sido alvo de intervenções legais por parte de um advogado da igreja, que teria solicitado medidas protetivas contra ele, mesmo sem uma consulta prévia ao profissional que elaborou um parecer psicológico que o diagnosticava com um transtorno.
Exploração Financeira e Controle Social
Everton Alexandri, advogado e contador, ingressou na igreja aos sete anos, influenciado por sua família e afirma que a organização realiza um tipo de “love bombing” para atrair novos membros, focando em pessoas emocionalmente vulneráveis. Após a adesão, os fiéis são obrigados a pagar 10% de seus rendimentos como dízimo, essencial para a manutenção da instituição. A falta desse pagamento pode excluir o membro dos templos e das práticas religiosas.
“O dízimo deve ser a primeira conta a ser paga todo mês. Eles afirmam que você está devolvendo a Deus, mas é uma maneira de extorquir os fiéis”, detalha.
Práticas Controversas e Racismo Estrutural
Alexandri também menciona práticas que considera discriminatórias, como a negação do sacerdócio às mulheres e a suposta associação de pele escura a uma “maldição”, com a inclusão de negros no sacerdócio ocorrendo somente a partir da década de 1970. Ele narra um sofrimento intenso vivido por sua mãe durante um comitê disciplinar ao qual foi submetida após se afastar da igreja.
Por fim, a prática do batismo pós-morte, onde fiéis batizam pessoas falecidas, mesmo que estas não tenham concordado, é uma realidade alarmante que muitos ex-membros desejam que seja confrontada publicamente.
Modelo de Controle e Manipulação
A pesquisadora Vania Moore, que vive em Salt Lake City, destaca que a Igreja Mórmon aplica o modelo BITE de controle, que abrange Comportamento, Informação, Pensamento e Emoção. Este método é utilizado para restringir a liberdade dos membros, forçando-os a seguir as diretrizes da organização sem questionamentos.
“A pressão para aceitar os mandatos da igreja é tão forte que gera um sentimento persistente de culpa nos fiéis”, explica Moore, ressaltando que a manipulação emocional é uma parte central da doutrinação.




