Uma devassa nos arquivos financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro trouxe à tona a dimensão astronômica das movimentações efetuadas pelo empresário ao longo do ano de 2025. Documentos da Polícia Federal tornados públicos nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que os gastos mensais do investigado chegaram ao teto de R$ 84,6 milhões, divididos entre aquisições de altíssimo luxo, despesas operacionais e repasses sob escrutínio das autoridades.
A mecânica do fluxo financeiro e os itens de ostentação
O levantamento minucioso dos investigadores baseou-se em tabelas intituladas "despesas gerais", identificadas durante o monitoramento de mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. O material contábil compila compromissos pessoais, investimentos imobiliários e obrigações operacionais do executivo.
No cardápio de despesas rotineiras, orçadas em cerca de R$ 6,5 milhões mensais, constavam pagamentos de condomínios de alto padrão, impostos prediais (IPTU), contas de energia elétrica, além de vultosos honorários cobrados por bancas de advocacia.
No entanto, a volatilidade dos desembolsos registrou picos impressionantes impulsionados por itens extravagantes:
- Aviação executiva: Em março, a manutenção e uso de aeronaves exigiram R$ 6 milhões; já em junho, a aquisição ou operação do jato prefixo PS-FSW custou R$ 4,9 milhões.
- Mercado de arte e reformas: Em junho, foram destinados R$ 7,3 milhões para galerias de arte. No acumulado das pendências entre junho e agosto, que atingiu o ápice de R$ 84,6 milhões, constam R$ 6 milhões empregados na reforma de um apartamento de luxo.
- Repasses religiosos: A contabilidade aponta ainda uma transferência de R$ 2 milhões para a Igreja Lagoinha Belvedere, instituição onde Zettel atuou como pastor.
Repasses a suspeito de integrar milícia privada
Dentre os achados mais críticos apontados pela Polícia Federal, sobressai o planejamento de repasses de R$ 1 milhão mensais destinados a Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome "Sicário". De acordo com os investigadores, Mourão faria parte de uma estrutura paramilitar encarregada de coagir e intimidar desafetos do banqueiro.
As análises policiais estimam que Mourão tenha auferido cerca de R$ 24 milhões ao longo de dois anos de prestação de serviços. Preso preventivamente no âmbito da operação, o investigado faleceu em março, dois dias após uma tentativa de suicídio nas instalações carcerárias.
STF derruba sigilo do Caso Master
A divulgação destas planilhas ocorreu após o ministro André Mendonça, relator da matéria no STF, acolher formalmente a solicitação formulada pelo presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin. A determinação suspendeu o segredo de justiça que pairava sobre o chamado Caso Master, assegurando a disponibilização imediata do acervo digitalizado — contendo todas as provas e relatórios policiais — aos demais integrantes da Corte e ao público público.




