O clima de tensão na mais alta Corte do país atingiu novos patamares. Em uma ofensiva para garantir transparência e subsidiar a próxima deliberação do plenário, os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram à Polícia Federal o envio imediato do conteúdo integral extraído do telefone celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A movimentação atende a um cálculo estratégico que antecede a sessão marcada para esta terça-feira, na qual o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a validade de relatórios produzidos pela corporação. Os documentos citam diálogos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário, obtidos no âmbito da Petição 16.662. Diante desse cenário, Zanin e Gilmar fixaram prazos exíguos para que a PF disponibilizasse os arquivos a seus gabinetes.
Contraponto e divergências regimentais
A postura dos dois magistrados contraria abertamente a tese sustentada pelo ministro André Mendonça, até então relator das apurações ligadas ao Banco Master. Mendonça posicionou-se de forma contrária à distribuição ampla do material antes da sessão, sob a justificativa de que a medida poderia desestabilizar os trabalhos e prejudicar a marcha processual.
De acordo com o relator, seu gabinete dispõe de réplicas preservadas das quais ainda não tomou conhecimento profundo, enquanto a matriz do acervo digital permanece sob a salvaguarda formal da polícia. Em resposta, Zanin enfatizou que a atividade judicante exige acesso irrestrito às evidências, sustentando que nenhum julgador pode ter restrições a elementos probatórios, sob compromisso com o sigilo e a independência funcional.
Prontidão técnica da Polícia Federal e reação de Moraes
Provocada pela presidência da Corte e pelos gabinetes interessados, a Polícia Federal garantiu ter totais condições de gerar vias idênticas do material apreendido para distribuição imediata aos demais ministros. A corporação ressaltou que a mídia original jamais deixou sua custódia desde a execução da busca e apreensão contra o banqueiro.
Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes protocolou pedido para retirar o segredo de justiça de outra apuração relacionada ao imbróglio. Moraes argumentou que dados cruciais haviam sido omitidos por Mendonça. Diante do requerimento, o presidente do STF, Edson Fachin, acionou a Procuradoria-Geral da República para manifestação urgente.
A escalada da crise e a centralização por Fachin
O embate atual é desdobramento direto do levante institucional iniciado quando o sigilo parcial do caso foi derrubado, expondo os trechos que citavam Moraes. A partir daí, desencadeou-se uma sucessão de atritos severos:
- Moraes acusou Mendonça de motivação política e solicitou apurações contra o colega;
- Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sob a alegação de monitoramento ilegal;
- O ministro Flávio Dino e, posteriormente, Edson Fachin sustaram o afastamento e mantiveram o chefe da PF na função;
- Fachin assumiu a relatoria do Inquérito das Fake News e puxou para a Presidência os processos sobre o Banco Master e o INSS.
Com a avocação promovida pelo presidente da Corte, as investigações permanecem sob supervisão direta do comando do tribunal, enquanto os ministros buscam um desfecho pacificável em plenário sobre os dados do celular de Vorcaro.




