Na última quinta-feira (6), um perito da Polícia Científica do Estado de Goiás (PCIGO) compartilhou, em entrevista ao Mais Goiás, detalhes alarmantes sobre a rotina de assédio moral dentro da instituição. Sob a liderança de Ricardo Matos da Silva, superintendente da corporação, o profissional, que preferiu manter sua identidade em anonimato, revelou uma cultura de intimidação que afeta diretamente a saúde mental e a produtividade dos servidores.
O relato indica que Matos utiliza a corregedoria para intimidar e expor funcionários em situações vexatórias, sem fundamentos claros. “Ele frequentemente envia servidores para investigação por motivos que não configuram infrações, o que gera estresse e descontentamento. O resultado é um ambiente de medo, que leva muitos a se calarem ou até a adoecerem”, disse o perito.
Casos de humilhação foram destacados, incluindo uma reunião em que Matos se referiu a um colega, afastado por problemas de saúde mental, de maneira depreciativa, insinuando que o profissional era “fraco” e “mala”. “Apesar de não mencionar o nome, suas características eram facilmente reconhecíveis por todos”, ressaltou o entrevistado.
Outro episódio envolveu a convocação de um funcionário à corregedoria, com questionamentos sobre sua habilidade de leitura. “Esse caso repercutiu amplamente na instituição, e o colega enfrentou sérios problemas de saúde em decorrência da situação”, complementou.
As queixas foram levadas ao sindicato da categoria, que tentou interceder junto à administração. Contudo, apesar das denúncias, a situação permanece inalterada. “Ele tem promovido remoções de servidores sem justificativas plausíveis. O sindicato tem se manifestado, mas ele ignora as solicitações”, afirmou o perito.
A insatisfação é generalizada, com muitos profissionais considerando deixar a PCIGO em busca de melhores oportunidades e qualidade de vida. “Muitas pessoas estão se preparando para novos concursos, e já há casos de colegas que pediram exoneração”, lamentou.
Além das denúncias internas, a Justiça também tomou conhecimento da situação. Recentemente, o Estado de Goiás foi condenado ao pagamento de R$ 50 mil em danos morais coletivos, reconhecendo a existência de assédio moral institucional. A decisão, proferida em 31 de julho, apontou que ações do superintendente extrapolaram os limites da fiscalização, com exposição inadequada dos servidores.
Embora a condenação tenha ocorrido, o pedido do sindicato para afastar Matos de suas funções foi negado. A juíza responsável pelo caso argumentou que tal decisão representaria uma interferência indevida do Judiciário em questões administrativas do Executivo. Em sua justificativa, ressaltou que a manutenção, exoneração ou escolha de pessoas para cargos de liderança é uma prerrogativa do governo estadual, que deve ser respeitada.
A PCIGO, em resposta às alegações, afirmou que está ciente da sentença e que o caso será tratado dentro dos prazos legais. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) também se pronunciou, afirmando que a situação deve ser abordada pela própria Polícia Científica.
Apesar da gravidade das denúncias, Ricardo Matos não retornou aos contatos do Mais Goiás, mas o espaço permanece aberto para sua manifestação.


