Leonardo "Avalanche", atual presidente do PRTB e candidato a vice-presidente da República ao lado de Pablo Marçal, está no centro de um turbulento escândalo judicial em São Paulo. Ele foi formalmente acusado de associação criminosa, ameaças e manipulação de informações públicas, com o processo iniciando em março de 2023 sob segredo de Justiça devido a denúncias de violência política contra uma mulher.

Avalanche também enfrenta investigações em pelo menos mais cinco inquéritos da Polícia Federal, relacionados a crimes graves. Medidas protetivas foram concedidas a duas vítimas, que agora têm restrições contra ele, incluindo a proibição de contato ou aproximação a menos de 500 metros.

Uma das testemunhas, que anteriormente trabalhou para Avalanche, está sob a proteção da Polícia Federal após relatar uma série de crimes, incluindo a coerção da vice-presidente do partido, Rachel de Carvalho, a renunciar ao cargo sob ameaças diretas. Segundo o relato da testemunha, Rachel foi levada a um escritório onde foi pressionada a assinar sua renúncia em um ambiente hostil.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou uma denúncia alegando que no dia do aniversário de Avalanche, em 16 de março de 2024, Rachel foi alvo de uma série de pressões intimidatórias, resultantes de uma manobra que culminou na dissolução do diretório paulista do PRTB, anteriormente sob seu comando. O controle do partido foi subsequentemente passado para membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), uma organização criminosa.

A pressão sobre Rachel continuou e, em abril de 2024, enquanto estava em luto pela morte de seu pai, ela foi interceptada por aliados de Avalanche em um restaurante, onde teria sido levada a um tribunal clandestino com a presença de membros do PCC. Durante essa ação, celulares foram confiscados e ela foi ameaçada a assinar um termo de renúncia.

A denúncia do MPE também aponta que Patrícia Reitter, consultora jurídica do PRTB e associada de Avalanche, teria se declarado integrante do PCC, revelando que a organização criminosa controlava o partido. Em gravações divulgadas, Avalanche admitiu seu envolvimento com o PCC, corroborando a gravidade das acusações.

Em meio ao tumulto, a disputa pelo controle do PRTB se acirrou após a morte do fundador Levy Fidelix em 2021. Desde então, diversos grupos se mobilizaram para assumir o comando do partido. Rachel de Carvalho teve uma breve presidência, mas sua eleição foi anulada judicialmente. As tensões aumentaram quando Avalanche tornou-se um jogador chave nessa luta interna.

Relatos indicam que, após assumir a liderança do PRTB, Avalanche começou a coagir membros a renunciar, utilizando ameaças e chantagens. Mensagens de texto anexadas ao processo indicam que ele mandou links de termos de renúncia prontos para outros membros, evidenciando sua estratégia intimidatória.

Aproximadamente uma semana após sua ascensão, ele já havia orquestrado uma série de fraudes, incluindo a coação de novos membros a votarem em sua favor, utilizando documentos falsificados. O MPE descreveu Avalanche como o “mentor intelectual” por trás de uma série de esquemas de corrupção que visavam consolidar seu poder no partido.

As revelações sobre suas táticas de intimidação e manipulação trazem à tona questões sérias sobre a integridade do PRTB e as ligações criminosas que podem comprometer candidaturas futuras, especialmente com uma eleição municipal se aproximando.