Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) se tornou o centro de uma controvérsia após a nomeação de duas advogadas ligadas ao deputado estadual Rodrigo Amorim. Fernanda Braga Mendes, esposa do deputado, e sua cunhada, Bianca Vasconcelos Pires de Amorim, foram designadas para cargos no gabinete do presidente do TCE-RJ, Márcio Pacheco.

Ambas as profissionais não só foram nomeadas, como também receberam a oportunidade de cursar um mestrado no exterior, totalmente financiado pela instituição. O custo estimado para cada uma delas gira em torno de R$ 100 mil, conforme informações da Washington & Lincoln University.

Fernanda Braga Mendes ocupa uma posição desde 2022, com um salário mensal de R$ 28,4 mil. Além disso, ela acumula uma gratificação de R$ 7,6 mil e um vale-refeição que soma R$ 3,1 mil, totalizando aproximadamente R$ 39.100 mensais. Sua função inclui a participação em uma comissão de jurisprudência e súmulas, o que a leva a acumular cargos no TCE-RJ.

Por outro lado, Bianca Vasconcelos, esposa do vereador Rogério Amorim, recebe um salário de R$ 16,9 mil. Com a inclusão de gratificações relacionadas a licenças retributivas, seu rendimento mensal pode alcançar R$ 19 mil. Este benefício foi introduzido a partir de uma medida legislativa aprovada em 2025, que contou com o apoio de Rodrigo Amorim e incluiu o TCE-RJ entre os órgãos beneficiados.

A situação gerou críticas, especialmente considerando que Márcio Pacheco, presidente do TCE-RJ, é réu no Superior Tribunal de Justiça por supostas práticas de corrupção durante seu tempo como deputado. Além disso, seu irmão, Fred Pacheco, é aliado político de Rodrigo Amorim na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Em resposta às acusações de favorecimento, Rodrigo Amorim declarou que insinuar que as nomeações têm motivações ilícitas é uma forma de difamação e pode ser interpretado como misoginia. Ele defendeu a competência de sua esposa e ressaltou sua experiência de mais de 20 anos na advocacia, afirmando que ela ocupa uma função de destaque e com alta produtividade no Tribunal.

O vereador Rogério Amorim também se manifestou, alegando que a nomeação de sua esposa não apresenta ilegalidades. Ele afirmou que Bianca é uma advogada com formação e experiência adequadas para o cargo, enfatizando que as conquistas profissionais femininas devem ser reconhecidas por méritos próprios.

Essa situação tem gerado um debate mais amplo sobre a transparência e a ética nas nomeações em cargos públicos, especialmente em um cenário onde as conexões políticas podem influenciar decisões administrativas.