O primeiro debate eleitoral entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado na Band, foi repleto de trocas de farpas entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). As discussões giraram em torno de temas cruciais como educação e segurança, com constantes provocações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os candidatos iniciaram o confronto discutindo os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Infelizmente, a cidade de São Paulo apresentou desempenho abaixo da média nacional, destacando-se negativamente entre as capitais do Brasil nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Tarcísio teve a oportunidade de abordar o tema primeiro, ressaltando projetos que visam melhorar a educação no estado. Ele também mencionou o esvaziamento da Cracolândia, um dos pilares de sua gestão, em sua explanação.

Em resposta, Haddad tomou a palavra e não hesitou em criticar a gestão de Tarcísio na área educacional. “O Tarcísio herdou o estado de São Paulo em terceiro lugar em qualidade de ensino médio e está entregando na décima posição”, afirmou o petista, evidenciando o retrocesso na educação pública sob a atual administração.

O debate se intensificou ao abordarem a segurança pública. Haddad elevou o tom ao contestar a eficácia das políticas de segurança de Tarcísio, argumentando que a violência associada a facções como o PCC e o Comando Vermelho tem aumentado. “É uma das fases mais graves da história da PM, com coronéis envolvidos com o crime organizado”, criticou, mencionando a necessidade de afastar o comando da polícia sem explicar os motivos.

Tarcísio não se deixou abater e rebateu as acusações, citando iniciativas contra crimes financeiros e destacando operações que visam combater fraudes no setor de combustíveis. Ele também trouxe à tona a prisão do vereador petista Senival Moura, supostamente ligado a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o PCC.

Durante o debate, Haddad criticou ainda a relação do governo com os municípios, afirmando que, enquanto Tarcísio investiu bilhões em sua nova sede administrativa, deixou de apoiar os prefeitos do interior de forma adequada. “Você não ajudou os prefeitos com a mesma generosidade que recebeu”, disparou o ex-prefeito de São Paulo.

Outro ponto de tensão foi a relação de Tarcísio com Jair Bolsonaro. Ao discutir as renegociações da dívida do estado, Tarcísio pediu que Haddad deixasse Bolsonaro de lado. O petista respondeu indagando se o governador tinha vergonha do ex-presidente, o que levou Tarcísio a enfatizar que a gratidão por Bolsonaro não desaparece com o tempo.

Na parte final do debate, a política econômica nacional foi amplamente discutida. Tarcísio questionou Haddad sobre que conselho ele daria ao futuro presidente da República, sugerindo evitar a nomeação de Roberto Campos Neto para o Banco Central, em uma referência à sua situação controversa durante a gestão de Bolsonaro.