No último debate eleitoral realizado em São Paulo, Tarcísio de Freitas, atual governador e candidato à reeleição pelo Republicanos, trouxe à tona sua proposta de privatização das escolas como um dos pilares de sua gestão. O evento, que ocorreu no último domingo (9/8), contou com a participação de Fernando Haddad, do PT, que não poupou críticas à política de desestatização do governo estadual.
Durante a discussão, Haddad questionou as práticas de privatização, especialmente em relação à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), ressaltando preocupações sobre um suposto programa de desestatização agressivo. Ele aproveitou a oportunidade para mencionar um projeto de Parceria Público-Privada (PPP) que visa transferir a administração das escolas públicas para a iniciativa privada.
Tarcísio, por sua vez, defendeu a eficácia das PPPs em sua gestão: "Nossa equipe escolar terá como prioridade o ensino". O governador justificou suas ações afirmando que a privatização é uma necessidade e não uma prática arbitrária: "Não fazemos privatização apenas por fazer. Às vezes, fazemos por necessidade".
Em resposta às críticas sobre a Sabesp, Tarcísio destacou os avanços na cobertura de serviços de água e esgoto em diversas regiões do estado pós-desestatização. Haddad, no entanto, lembrou que o governador havia prometido que as tarifas não aumentariam após a venda da estatal. Tarcísio justificou que a redução das tarifas ocorreu nos primeiros meses, mas alertou que mantê-las baixas por tempo prolongado poderia levar a empresa à insolvência, provocando Haddad: "Estatais insolventes são uma especialidade dos governos petistas".
O ex-ministro Haddad, em sua réplica, reafirmou seu compromisso de revisar os contratos de concessão do governo, destacando a importância de garantir transparência nos benefícios fiscais atribuídos a empresas pelo estado. Ele questionou Tarcísio sobre as condições dessas concessões, sugerindo que não havia clareza sobre quais empresas estavam sendo favorecidas.
Além disso, Tarcísio, ao ser perguntado sobre a revisão dos benefícios, mencionou que já havia reduzido as concessões em um terço. Questionando Haddad sobre seu conhecimento dos contratos da Sabesp, o governador provocou: "Você leu o contrato da Sabesp, Haddad?". Ao que Haddad respondeu: "Parte, sim".
No encerramento do debate: Tarcísio abordou temas como segurança pública, afirmando que sua administração alcançou os menores índices de criminalidade do estado. Ele prometeu implementar inteligência artificial para aumentar a segurança e a eficiência na saúde pública, além de destacar o avanço nas linhas de metrô e mobilidade em São Paulo.
Haddad, por sua vez, fez uma crítica direta ao governador, comparando a atual gestão com os governos de Jair Bolsonaro e Lula. Ele sugeriu que Tarcísio usou estratégias discursivas como o gerúndio para mascarar a falta de resultados efetivos, argumentando que São Paulo estaria ficando para trás no desenvolvimento nacional e que o governador deveria ser mais transparente quanto a erros administrativos.




