O PSol formalizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na Justiça Eleitoral, solicitando a inelegibilidade e a cassação da candidatura de Eduardo Cunha, do Republicanos, a deputado federal por Minas Gerais. O pedido foi protocolado nesta quarta-feira, 12 de agosto, por parlamentares do partido, incluindo Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Maria da Consolação Rocha, a última concorrendo à Câmara pelo PSol.

Os membros do PSol alegam que Cunha, que já ocupou a presidência da Câmara dos Deputados, se envolveu em práticas de abuso de poder econômico e político, além de usar meios de comunicação de forma indevida. As acusações se baseiam em evidências que indicam que o ex-deputado estaria direcionando emendas parlamentares para fortalecer sua pré-campanha, mesmo fora do mandato desde 2016.

Entre as provas apresentadas está uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e elementos coletados pela Polícia Federal que evidenciam a atuação de Cunha na alocação de recursos para municípios de Minas Gerais, com a intenção de beneficiar sua candidatura. A ação cita mensagens atribuídas a Cunha que revelam conversas sobre a troca de municípios beneficiados com emendas.

Uma dessas mensagens destaca: "Cidade pequena é uma guerra", enquanto outra revela sua frustração com a situação de alguns municípios mineiros: "Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa." As provas sugerem que houve mudanças nas destinações das emendas, que totalizaram R$ 6,15 milhões para 29 municípios mineiros.

A petição do PSol também solicita uma investigação sobre a rede de comunicação Maravilha FM, que estaria vinculada a Eduardo Cunha, apontado como responsável pela emissora, onde ele apresenta um programa semanal voltado para o público gospel. Além disso, o partido pede que a Justiça examine despesas relacionadas à pré-campanha, que incluem gastos com deslocamentos de helicóptero e patrocínios esportivos, para verificar se essas ações foram utilizadas para favorecer sua candidatura.

Em resposta às acusações, Eduardo Cunha afirmou que não se preocupa com as impugnações, considerando-as sem fundamento jurídico e facilmente contestáveis. Segundo ele, as alegações são reflexo de um ativismo político que esperava, já que seus adversários temem seu retorno à política, que, segundo ele, será inevitável.