Um grave acidente em Goiânia, onde um casal foi atropelado por um adolescente embriagado, trouxe à tona o passado polêmico do proprietário da caminhonete envolvida, um policial militar aposentado. O sargento da reserva, que foi detido em 2018 durante a Operação Negociata, agora enfrenta novas repercussões devido ao recente incidente.
Durante a Operação Negociata, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), o ex-policial foi preso em uma investigação que apurava um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento de empresas. Na ocasião, ele ocupava o cargo de diretor da Secretaria Municipal de Administração de Caldas Novas, sob a gestão do então prefeito Evandro Magal (PSDB).
A operação resultou na execução de 32 mandados de busca e apreensão e na prisão de nove pessoas. Documentos revelaram que o esquema envolvia fraudes em licitações e a concessão de contratos a empresas fantasmas, com ganhos que ultrapassavam R$ 1 milhão. Parte desses valores, segundo investigações, teria sido utilizada para financiar campanhas eleitorais.
O acidente, que ocorreu no último domingo (16) na Avenida Perimetral, Setor Campinas, resultou em situações críticas para as vítimas, Fábio Alves Barbosa e Neifa Freitas de Farias Alves, ambos com 50 anos. Enquanto Neifa entrou em um protocolo de morte cerebral, Fábio permanece internado em estado grave na UTI.
Testemunhas relataram que o proprietário da caminhonete alegou ter emprestado o veículo aos pais do adolescente envolvido no acidente. De acordo com uma testemunha, o ex-PM demonstrou preocupação com a repercussão do acidente e a possível ligação do veículo a uma campanha política, indicando que o carro estava associado a uma candidatura a deputada federal.
Após o atropelamento, o adolescente, que estava sob influência de álcool, tentava fugir do local, mas teve seu veículo preso em uma motocicleta. O caso foi rapidamente registrado pela polícia, que já está investigando as circunstâncias do acidente e a conduta do menor.
O delegado Rômulo Matos, responsável pela investigação, informou que o foco é avaliar as ações do adolescente. Outros possíveis crimes envolvendo adultos associados ao caso serão encaminhados a suas respectivas unidades, como a delegacia de trânsito.
A análise das imagens do veículo revelou que a caminhonete tinha adesivos que foram removidos no dia do acidente, embora o delegado tenha enfatizado que isso não necessariamente indica má-fé ou intenção de ocultar a identidade do veículo.
A situação está em andamento, e as autoridades continuam a investigar todos os aspectos relacionados ao acidente e ao histórico do proprietário da caminhonete.




