Os funcionários administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia optaram por continuar a greve, que teve início no dia 17 de agosto, após uma assembleia realizada na última segunda-feira (24). A decisão foi tomada por uma expressiva maioria, com 85,1% dos presentes votando contra a proposta apresentada pela prefeitura.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ludmylla Morais, ressaltou a urgência de um reconhecimento mais justo para os trabalhadores da categoria. "Não se trata apenas de uma questão salarial, mas do devido reconhecimento de profissionais essenciais para a educação. Atualmente, temos administrativos que recebem menos de um salário mínimo e colegas exercendo funções semelhantes, mas com salários divergentes. É fundamental que esses trabalhadores sejam adequadamente valorizados durante esta gestão, por isso continuamos mobilizados em nossa luta", afirmou.

A proposta que foi rejeitada pelos administrativos incluía uma série de medidas, como:

  • Parcelamento da atualização salarial em cinco vezes;
  • Enquadramento funcional opcional;
  • Pagamento da data-base em janeiro, conforme a Lei nº 9.850/2026;
  • Pagamento do auxílio-locomoção referente ao mês de julho;
  • Pagamento do bônus em dezembro, sem desconto pelo período de greve;
  • Abono dos dias parados durante a paralisação.

A principal reivindicação da categoria é a criação de um novo plano de carreira e a atualização da tabela salarial para os servidores administrativos. Ludmylla Morais também indicou que as atividades de mobilização continuarão ao longo da semana, com informações sendo divulgadas aos trabalhadores.

Além disso, a Justiça determinou que o Sintego mantenha pelo menos 70% dos servidores administrativos em funcionamento nas escolas durante a greve, uma decisão que busca garantir o mínimo de operação das unidades de ensino. Essa decisão, proferida pela 1ª Seção Cível, foi feita a pedido da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e estabelece que o percentual de 70% deve ser cumprido em cada unidade individualmente, não sendo suficiente atingir essa média com a soma total de servidores da rede.

O controle de presença será realizado por meio de registros funcionais e, caso o Sintego não cumpra com a determinação, poderá enfrentar uma multa de R$ 5 mil por dia, até um limite de R$ 100 mil. A Prefeitura defende que os servidores administrativos desempenham funções cruciais para o funcionamento das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), que atendem cerca de 120 mil alunos na cidade.

As mobilizações e a continuidade da greve refletem a insatisfação dos trabalhadores com as condições atuais e a determinação de buscar melhorias significativas em suas condições de trabalho e remuneração.