Após décadas de debate sobre a necessidade de um novo contorno rodoviário, o governo federal avançou com a licitação de um projeto de 44 km destinado a desviar parte do tráfego das BRs 153 e 060 da região metropolitana de Goiânia. Com um investimento estimado em R$ 1,1 bilhão, o Contorno Sudeste/Nordeste interligará os municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia.
Especialistas em urbanismo acreditam que essa nova via não apenas aliviará a congestão do tráfego, mas também estimulará o crescimento de empreendimentos e acelerará a ocupação nas áreas leste e nordeste da metrópole. A magnitude desta transformação, no entanto, dependerá das diretrizes de uso do solo, do controle de acessos e da infraestrutura disponível nas cidades envolvidas.
O edital nº 38/2026, publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas, prevê um modelo de contratação integrada que abrange tanto a elaboração dos projetos básico e executivo quanto a execução das obras. As propostas devem ser apresentadas até o dia 29 de setembro, sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Um Projeto que Vem de Longe
A ideia de um Anel Viário para a Região Metropolitana de Goiânia começou a ser discutida em 1996. No entanto, o projeto atualmente em licitação não corresponde ao planejamento original, que previa uma extensão de cerca de 82 km. Em 2021, as discussões foram retomadas e a proposta foi reformulada, resultando no atual traçado de 44 km, que visa aliviar o tráfego da BR-153 e incluir novas conexões.
Com 44 km de pistas duplicadas, o novo traçado conectará diretamente rodovias estaduais, parques industriais e aeroportos, facilitando o acesso a Anápolis. O objetivo principal é reduzir a pressão sobre as BRs 153 e 060, além de mitigar pontos críticos e gargalos logísticos.
Impactos na Acessibilidade e na Ocupação Urbana
A abertura de uma nova rodovia pode transformar a acessibilidade em áreas que antes eram distantes dos principais corredores metropolitanos. Para setores que dependem de transporte, como logística e comércio, essa mudança pode influenciar na escolha de locais para novos empreendimentos.
Marielle Vieira Felix Rocha, engenheira civil e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo, ressalta que a infraestrutura rodoviária pode funcionar como um atrativo para novas ocupações, mas alerta que o crescimento deve ser acompanhado de serviços essenciais, como água e energia.
A pesquisa de Yordana Dias das Neves Naciff e colegas, publicada na Revista Jatobá, destaca a estrutura urbana monocêntrica da região e a fragmentação urbana que pode ocorrer devido ao espraiamento desordenado. Embora o estudo não analise diretamente o novo anel, ele oferece uma visão sobre os desafios que a obra poderá enfrentar.
A Expansão em Senador Canedo
O processo de expansão em direção a Senador Canedo já está em andamento, com estudos indicando uma dinâmica de ocupação ao longo da GO-020 e da BR-153. A urbanista Thaissa Finotti acredita que a nova estrada poderá acelerar uma conurbação já em curso, valorizando terrenos na área.
Entretanto, a transformação não se dará de forma automática. A legislação municipal e as regras de uso do solo serão cruciais para determinar como as áreas adjacentes ao novo corredor poderão ser desenvolvidas. Maria Ester de Souza, arquiteta e urbanista, enfatiza que a mudança na legislação é essencial para permitir novos usos das áreas que ganharão acesso rodoviário.
Em resumo, a construção do Anel Viário representa um marco significativo para a Grande Goiânia, mas sua efetividade dependerá de um planejamento urbano coerente e da implementação de políticas públicas que acompanhem o crescimento da região.




