Relatórios recentes da Polícia Federal (PF) revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, pode estar adotando uma postura desigual em suas decisões, dependendo do perfil político dos investigados. O documento foi mencionado na decisão do ministro Alexandre de Moraes, que ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro de 2026.

Durante uma reunião em agosto, Mendonça expressou a percepção de que ACM Neto, candidato ao governo da Bahia e afiliado ao União Brasil, estaria atuando dentro da legalidade, o que gerou contrapontos com sua abordagem em casos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com a PF.

A PF sugere que o tratamento dispensado a políticos de diferentes orientações ideológicas é desproporcional. A análise aponta que decisões que envolvem figuras mais alinhadas à direita são frequentemente proferidas com maior celeridade, enquanto casos envolvendo políticos de esquerda tendem a enfrentar atrasos significativos.

Essas constatações estão atreladas a um pedido do ministro Moraes para que seja apurado um alegado abuso de autoridade por parte de Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Moraes menciona que há indícios de práticas de improbidade administrativa e crime de responsabilidade, exigindo uma resposta do presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin, em um prazo de cinco dias.

O relatório da PF destaca que Mendonça teria desviado a condução de investigações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no Banco Master, indicando uma possível intenção de proteger aliados políticos, como Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Além disso, o ministro Moraes afirma que Mendonça teria utilizado sua posição para abrir investigações sem a formalidade necessária, favorecendo seus interesses pessoais. O relatório menciona que, em uma reunião com investigadores, Mendonça solicitou a apuração de um aliado político com a suposta intenção de atingir Alcolumbre, que possui uma influência significativa no Senado.

Essa situação é especialmente preocupante, uma vez que o inquérito das fake news foi instaurado em 2019 e continua em andamento sem um prazo definido para conclusão. O ministro decano do STF, Gilmar Mendes, enfatizou que esse inquérito serve como um mecanismo de defesa da Corte diante de críticas.

A PF, por sua vez, expressou preocupação com a confiabilidade dos dados apresentados, classificando a amostra analisada como de baixa relevância, uma vez que abrange um grupo restrito de casos.

A situação atual levanta questões sobre a imparcialidade das decisões judiciais e a possibilidade de politicagem no âmbito do STF, um tema que merece atenção contínua da sociedade civil e dos órgãos de fiscalização.