A Polícia Federal, sob a direção de Andrei Rodrigues, elaborou um extenso relatório de 50 páginas que examina a conduta do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigações sob sua responsabilidade. Este material, que foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, inclui análises sobre as operações Sem Desconto e Compliance Zero, que investigam fraudes em benefícios previdenciários e questões relacionadas ao Banco Master, respectivamente.
O documento apresenta uma crítica detalhada sobre o padrão de decisões de Mendonça, incluindo o tempo que ele leva para deliberar sobre medidas solicitadas pela PF e sua interação com outros ministros do STF e figuras políticas. Além disso, o relatório levanta questões sobre as possíveis motivações de suas decisões, embora ressalte que suas conclusões não são definitivas e baseiam-se em análises hipotéticas.
No dia 1º de setembro de 2026, Mendonça decidiu retirar o sigilo de documentos que revelavam uma conexão entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Moraes. Após essa decisão, Moraes se manifestou afirmando que tomaria conhecimento do relatório da PF e solicitou que fosse enviado ao seu gabinete. Este relatório, no entanto, é apócrifo e não apresenta data ou assinatura, levantando questões sobre sua autenticidade e validade.
Em uma ação posterior, Moraes alegou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa e abuso de autoridade por parte de Mendonça e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, para que adotasse medidas apropriadas. Fachin, por sua vez, abriu um novo procedimento para que os envolvidos apresentassem esclarecimentos.
- Limitações do relatório: Os analistas da PF reconhecem que o relatório é composto por informações parciais e não deve ser considerado como prova definitiva em um processo legal.
- Considerações sobre Davi Alcolumbre: O relatório menciona que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é visto como um “alvo estratégico” devido ao seu poder político e controle da pauta senatorial.
- Comparação de investigações: A análise também destaca diferenças significativas nos prazos de apreciação entre os casos que envolvem políticos, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do ministro.
Um dos aspectos mais intrigantes do relatório é a maneira como Mendonça lidou com informações envolvendo Moraes e o ex-ministro Dias Toffoli. Enquanto demonstrou interesse em investigar Moraes, sua postura em relação a Toffoli foi mais cautelosa, o que levou os analistas a questionarem se havia uma motivação subjacente em suas decisões.
Os prazos de análise de Mendonça para diferentes casos também foram um foco de atenção. Os agentes da PF notaram uma “assimetria nos prazos de apreciação”, com variações que vão de 9 a 75 dias, o que poderia indicar uma possível correlação entre o tempo de resposta e o perfil dos investigados.
O relatório também explora a relação de Mendonça com a cúpula da PF, incluindo a dinâmica entre ele e o diretor-geral Andrei Rodrigues, além de suas interações com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento aponta que Mendonça teria expressado descontentamento com a proximidade de Rodrigues com o governo Lula e considerou a possibilidade de afastar o diretor da PF.
Em resumo, o relatório da PF oferece uma visão aprofundada sobre a atuação do ministro Mendonça, levantando questões sobre sua imparcialidade e as razões por trás de suas decisões. Conforme as investigações prosseguem, a repercussão deste material pode ter implicações significativas tanto para o funcionamento do STF quanto para o cenário político brasileiro.




