A interrupção das obras do viaduto na Avenida Leste-Oeste, em Goiânia, intensificou as preocupações em relação aos danos estruturais que a construção enfrenta. A avaliação é de Lamartine Moreira, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), que destaca o impacto negativo que a inatividade teve sobre a estrutura.
Moreira, em entrevista ao site Mais Goiás, menciona que, embora o laudo técnico inicial não apresente comprometimento na estrutura principal do viaduto, os problemas se concentram nas contenções laterais do aterro, que sofreram deterioração devido à falta de manutenção durante o período de paralisação. “A obra parou e, com as intempéries, as manifestações patológicas aumentaram nessas partes das contenções”, declarou.
Em sua análise, Moreira sugere que, caso as obras tivessem sido concluídas conforme o cronograma, a água da chuva não teria atingido os materiais estruturais da mesma forma. “Com os acabamentos adequados, a água não teria conseguido penetrar no terreno e afetar as estruturas de concreto e aço”, afirmou, enfatizando que a falta de término da obra gerou problemas visíveis.
Apesar dos desafios, o presidente do Crea-GO acredita que a recuperação da estrutura seja uma possibilidade viável. Contudo, ele ressalta a necessidade de definir se o custo das intervenções será justificável. “Na engenharia, tudo é possível. Recuperar é viável, mas é preciso avaliar o investimento necessário para tal”.
Moreira também informou que novos estudos serão realizados para identificar as intervenções necessárias e seus custos. “Intervenções em infraestrutura podem ser bastante caras, e pode ser preciso desmontar partes das placas de contenção ou refazer aterros”, detalhou, destacando que ainda há um longo caminho pela frente.
Uma expectativa é que um grupo técnico, composto por representantes da Prefeitura de Goiânia, do Crea-GO, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) e especialistas em engenharia, apresente suas conclusões em até 45 dias. Caso a obra seja reiniciada, a previsão é de que o viaduto seja finalizado até 2027.
Embora o diagnóstico inicial indique que pilares e superestruturas possam ser aproveitados, Moreira sublinha a importância de uma análise mais detalhada antes de decidir sobre o futuro da obra. “O laudo atual sugere que o viaduto não apresenta problemas sérios, mas pesquisas mais aprofundadas serão conduzidas para garantir uma solução segura e eficaz”, afirmou.
Além disso, o papel do Crea-GO será fornecer suporte técnico às demais entidades envolvidas na avaliação da obra, visando preservar este patrimônio público e evitar gastos desnecessários para os cofres públicos. A obra do complexo viário começou em 2023 e foi interrompida em julho de 2024 devido a dificuldades financeiras da empresa contratada e questões relacionadas às desapropriações ao redor. Meses após a paralisação, a administração municipal anunciou que os problemas haviam sido resolvidos e que a obra poderia ser retomada, com cerca de 80% da estrutura completada. No entanto, inspeções posteriores revelaram falhas significativas, como desalinhamento das placas de contenção e erosões no aterro, levando o Tribunal de Contas dos Municípios a monitorar a situação e fiscalizar os valores já investidos, que somam cerca de R$ 20 milhões. Recentemente, o prefeito Sandro Mabel anunciou a formação de uma mesa técnica para decidir se a estrutura poderá ser recuperada ou se a demolição será a única alternativa.




