O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deu início a uma investigação preliminar em junho, que envolve duas empresas associadas ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e candidato ao governo, Douglas Ruas.

Documentos recentes revelam que no dia 16 de junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) informações sobre eventuais pagamentos feitos pelo governo do Rio de Janeiro às empresas Saur Construção, Terraplanagem e Locação, e DM Invest.

A Saur é uma construtora onde Douglas Ruas e seu irmão, o vereador Nelson Ruas Filho, são sócios. Por outro lado, a DM Invest é uma empresa de administração financeira que possui como sócios Douglas e Letícia Felício, esposa do ex-secretário da Fazenda de São Gonçalo, Thiago Saraiva.

Em comunicado, o MPRJ informou à PGE que as informações solicitadas seriam utilizadas para esclarecer um procedimento em curso na Assessoria de Atribuição Originária Criminal (AAOCRIM), setor responsável por auxiliar investigações relacionadas a autoridades com foro privilegiado.

Em resposta à solicitação, a PGE-RJ informou, em julho, que não foram encontrados registros de pagamentos à Saur Construção e à DM Invest. Além disso, uma investigação civil, iniciada em maio de 2023, está sendo realizada pelo MPRJ para apurar possíveis casos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas Ruas e Thiago Saraiva. Este inquérito ainda está pendente de conclusão na Gerência de Suporte ao Conselho Superior do MPRJ.

A assessoria de comunicação de Douglas Ruas se manifestou, afirmando que as empresas mencionadas não têm qualquer vínculo ou contrato com entidades públicas.

Uma auditoria da PGE-RJ, realizada e enviada ao MPRJ em 25 de junho, revelou indícios de irregularidades na Secretaria de Cidades durante o período em que Douglas Ruas ocupou a pasta, entre setembro de 2022 e março deste ano. Um dos principais pontos abordados pela auditoria inclui um aditivo de 45% a um contrato para obras de asfaltamento, que foi assinado apenas duas semanas após o início do vínculo.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, o relatório da auditoria menciona também o deputado federal Altineu Côrtes, que possui foro especial, levando o chefe do MPRJ, Antonio José Campos Moreira, a questionar formalmente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre a necessidade de abertura de investigação na Procuradoria Geral da República (PGR).