Minas Gerais sob Alerta: 28 Barragens em Situação Crítica

Minas Gerais se destaca como o estado brasileiro com a maior concentração de barragens de mineração em alerta ou emergência, com 28 das 87 estruturas classificadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em situação crítica. Entre essas, a Barragem Serra Azul, localizada em Itatiaiuçu, é a única do país categorizada no Nível de Emergência 3, o mais grave previsto pela legislação.

Dentre as 28 barragens em Minas, seis estão em nível de alerta e 22 em diferentes níveis de emergência: 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3. Essa classificação indica um risco elevado que requer monitoramento constante e a implementação de medidas de segurança. Contudo, tal situação não implica, necessariamente, na iminência de um rompimento.

Histórico de Tragédias e Impactos nas Comunidades

O estado foi palco de duas das piores tragédias envolvendo barragens da mineração no Brasil. O colapso da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015, resultou na morte de 19 pessoas e causou uma catástrofe ambiental que afetou a bacia do Rio Doce. Em 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, deixou 272 mortos, configurando-se como a maior tragédia trabalhista do país.

A classificação das barragens é regida pela Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). No Brasil, existem 909 barragens cadastradas, mas apenas 467 seguem as diretrizes dessa política, sendo 191 em Minas Gerais. As barragens precisam de monitoramento e fiscalização rigorosos, principalmente as que estão em níveis de alerta e emergência.

A Barragem Serra Azul e a Situação Atual

A Barragem Serra Azul, pertencente à ArcelorMittal, é a única classificada como Emergência 3, situação que foi declarada em 2019. Desde então, a empresa implementou um Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), evacuando moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS). Em 2025, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 2) foi firmado, prevendo a destinação de cerca de R$ 436,7 milhões para reparar danos nas comunidades afetadas.

Das barragens em alerta ou emergência, 12 pertencem à Vale, com quatro em Nível de Emergência 2 e cinco em Nível de Alerta. As intervenções necessárias para a segurança das barragens acabam impactando diretamente a rotina das comunidades vizinhas.

As Consequências Sociais e Econômicas

De acordo com Guilherme Camponêz, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens, as consequências para as comunidades começam a ser sentidas já no nível 1 de emergência, quando a rotina dos moradores é alterada. A partir do nível 2, a legislação exige a evacuação total das famílias da ZAS, restringindo a circulação das pessoas na região.

O sentimento de insegurança é persistente, o que gera a chamada “lama invisível”, um termo usado para descrever o medo constante de um rompimento. Muitas comunidades enfrentam a falta de informações confiáveis sobre a estabilidade das barragens e sofrem com desestruturação social e econômica, além de um aumento nos casos de doenças mentais.

As remoções forçadas não apenas destroem laços comunitários, mas também afetam as tradições locais, como festas e feiras. A desvalorização dos imóveis nas áreas adjacentes a barragens em emergência também é uma realidade preocupante, dificultando a recuperação econômica das comunidades.

Resposta das Empresas e Medidas de Segurança

Empresas responsáveis pelas barragens, como a Vale, afirmam que a segurança de suas estruturas é uma prioridade e que segue protocolos rigorosos de monitoramento e inspeções regulares. A Vale declarou que não possui atualmente nenhuma barragem em nível 3 de emergência e que continua a implementar medidas de descaracterização de estruturas que não estão mais em operação.

Os impactos sociais, econômicos e psicológicos das barragens em situações críticas são profundos e preocupantes, exigindo atenção e ação efetiva das autoridades e das empresas para garantir a segurança das comunidades em Minas Gerais.