Durante passagem por Montes Claros, no norte de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demarcou o território ideológico da esquerda para as eleições. Em tom incisivo, o chefe do Executivo vetou categoricamente qualquer possibilidade de "dobradinha" informal entre candidatas do seu campo político e figuras tradicionais da oposição, com destaque para o tucano Aécio Neves.
Ao lado de seus correligionários no estado, como o candidato ao governo estadual Patrus Ananias e a liderança local Leninha, Lula defendeu a fidelidade partidária absoluta. O foco foi a disputa pelo Senado, onde a chapa governista sustenta os nomes de Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL). O presidente enfatizou que a militância e o eleitorado progressista não devem ceder espaço nem votos para adversários de centro-direita ou extrema-direita.
Rivalidade histórica e cicatrizes eleitorais
O discurso do mandatário resgatou embates marcantes da política nacional. Lula relembrou o período em que governava o país enquanto Aécio comandava o Palácio da Liberdade, acusando o ex-governador de omitir o apoio do governo federal em obras estaduais e de ter adotado uma postura agressiva contra Dilma Rousseff no pleito presidencial de 2014.
Na mesma linha de críticas, o presidente citou o ex-governador mineiro Fernando Pimentel, afirmando que o adversário tucano se afastou quando o aliado político necessitou de suporte institucional no estado.
Ações de governo, SUS e foco no eleitorado feminino
A agenda em solo mineiro combinou atos de campanha e compromissos oficiais da Presidência da República. Antes da caminhada política, Lula visitou as instalações da farmacêutica Eurofarma. Na ocasião, confirmou a incorporação de canetas emagrecedoras para o tratamento da obesidade na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), cobrando rigor e responsabilidade na distribuição do medicamento.
Em paralelo, o presidente fez novas sinalizações ao eleitorado feminino — contingente que representa mais de 52% do eleitorado brasileiro. Lula subiu o tom contra a violência de gênero, reiterou a tolerância zero ao feminicídio e afirmou que atos de agressão contra as mulheres serão punidos com o rigor da lei.
Minas Gerais como termômetro das urnas
Esta representou a terceira viagem do presidente ao estado durante a atual corrida eleitoral. Historicamente reconhecido como um estado "pendular", Minas Gerais funciona como um fiel da balança nas eleições presidenciais: desde 1945, o vencedor no estado conquistou o Planalto em 12 de 13 disputas.
Pesquisas recentes de institutos como Quaest e Datafolha indicam um cenário de forte acirramento na região, apontando um empate técnico entre Lula e o candidato oposicionista do PL, Flávio Bolsonaro. O desempenho entre os mineiros é avaliado pela coordenação de campanha como determinante para o desfecho da eleição nacional.
Próximos compromissos no Sudeste
A maratona do presidente pelo Sudeste segue com agendas voltadas para a segurança pública e grandes comícios urbanos:
- Rio de Janeiro: Evento no Complexo da Polícia Rodoviária Federal focado em ações integradas de combate ao crime organizado, ao lado do governador interino Ricardo Couto.
- São Paulo: Atividades de campanha em Guarulhos, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do candidato ao governo paulista Fernando Haddad e de candidatas ao Senado, como Marina Silva e Simone Tebet.

