Em uma decisão direcionada para conter os reflexos do movimento grevista sobre a logística paulista, a Justiça do Trabalho determinou a desocupação imediata do Centro de Tratamento dos Correios localizado em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) atende a um recurso apresentado pela própria estatal para reestabelecer as operações no local.

A deliberação foi proferida pela juíza Alzeni Aparecida de Oliveira Furlan. No despacho, a magistrada concedeu autorização para o emprego de força policial, se estritamente necessário, garantindo que a ordem de liberação seja executada sem demoras. A sentença exige também que os manifestantes guardem um raio mínimo de 10 metros de distância de todas as entradas do complexo, proibindo qualquer tipo de bloqueio à passagem de veículos ou trabalhadores.

Penalidades severas e impacto na distribuição

Para assegurar a eficácia do mandado, a Justiça estipulou uma multa diária de R$ 20 mil ao Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Campinas e Região (Sintect-Cas) e à Federação Interestadual da categoria (Fentect) em caso de descumprimento.

As mobilizações no polo de Indaiatuba começaram em 10 de setembro e vinham afetando substancialmente a logística regional. Em sua justificativa, a juíza destacou a relevância estratégica da unidade para o fluxo do interior paulista, lembrando que a paralisação coloca em risco a entrega de mercadorias prioritárias, como remédios, produtos sujeitos à deterioração e comunicações oficiais.

Como medida paliativa, a gestão dos Correios vinha direcionando o volume de encomendas desse entreposto para outros pontos do estado, visando amenizar os gargalos operacionais gerados pela paralisação.

Impasse trabalhista e julgamento de dissídio

Diante do insucesso das rodadas iniciais de mediação entre as lideranças sindicais e a empresa, o caso evoluiu para a instância judicial por meio de um dissídio coletivo. A apreciação da pauta pelo tribunal está agendada para o dia 21 de setembro, às 13h30, mantendo-se a possibilidade de acordo até o momento da sessão.

A direção dos Correios salientou o respeito à liberdade de manifestação da categoria, mas reforçou que a paralisação acontece em um cenário econômico adverso, no qual a busca por eficiência e o enxugamento de despesas se mostram cruciais para a operação.