No último domingo (2), Luiz Inácio Lula da Silva, presidente e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), reconheceu publicamente que cometeu uma infração à legislação eleitoral ao pedir votos. A declaração ocorreu durante a convenção nacional do PT, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, onde sua candidatura foi oficialmente homologada.

O presidente afirmou: "Estou aqui hoje e não posso dizer que sou candidato. Pedi votos na Bahia, mas não deveria ter feito isso". Ele destacou que a legislação permite pedidos de votos apenas após o dia 15 de agosto, data que marca o início oficial da campanha. "Aceito que serei multado por isso", acrescentou, referindo-se à sua declaração anterior na Bahia, onde pediu apoio a Fernando Haddad, seu aliado político.

Durante o evento, Lula enfatizou sua intenção de manter o foco na campanha e convocou os presentes a se prepararem para a disputa. "Não se cansem de votar. Elejam-me pela quarta vez para que possamos fazer este país prosperar", declarou.

Além de abordar sua situação legal, Lula também minimizou a importância das pesquisas eleitorais, que o colocam em vantagem sobre seus oponentes, especialmente Flávio Bolsonaro (PL). "Não se preocupem com as pesquisas, pois a competição ainda não começou", afirmou, aludindo ao cenário político que se desenha até as eleições.

A legislação brasileira restringe a propaganda eleitoral antes do início oficial da campanha, estabelecendo um limite claro para pedidos explícitos de voto. No entanto, Lula não hesitou em criticar a situação política atual, afirmando estar desiludido com a política moderna, mencionando o Fundo Partidário como um fator de corrupção entre os partidos. "Preferia os tempos em que nosso partido arrecadava fundos vendendo camisetas", lamentou.

Durante seu discurso, Lula fez questão de abordar a questão da violência de gênero, endereçando um aceno direto ao eleitorado feminino. "Quem agride mulheres não vota em mim. Queremos construir uma sociedade que respeita as mulheres", enfatizou. Essa declaração se alinha a uma série de compromissos que o candidato deseja estabelecer caso seja reeleito.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também recebeu elogios de Lula, reafirmou seu apoio e destacou a importância da colaboração entre eles. "Trabalharemos juntos com responsabilidade em prol da população", disse Alckmin, chamando a parceria de 'Lula com chuchu', uma expressão que remete à história política do Brasil.

Fernando Haddad, ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, também teve seu momento de destaque durante a convenção, elogiando Lula como uma figura admirada internacionalmente. "O Brasil está sendo reconstruído e continuará a avançar de cabeça erguida", afirmou, reforçando a importância do legado do ex-presidente.

A ex-ministra Simone Tebet, presente no evento, criticou Flávio Bolsonaro, chamando-o de "golpista" e ressaltando a necessidade de proteger os direitos conquistados. "É um momento crucial para a democracia brasileira", concluiu.