Reação da Polícia Federal a Críticas

Integrantes da cúpula da Polícia Federal (PF) saíram em defesa da instituição após o senador Jaques Wagner (PT-BA) manifestar sua insatisfação com a divulgação de uma imagem que mostra cédulas de dólar e euro apreendidas durante uma operação. A foto foi tirada em um local relacionado ao parlamentar e gerou polêmica.

Em declarações feitas em reservado, membros da direção da PF explicaram que a divulgação de imagens de materiais apreendidos é uma prática comum e padronizada da corporação. Segundo eles, esse procedimento não é influenciado pelo perfil político dos investigados.

Detalhes da Operação

Na operação em questão, realizada no dia 18 de junho, a PF apreendeu US$ 49 mil (aproximadamente R$ 255 mil) e 33,5 mil euros (cerca de R$ 199 mil) no apartamento utilizado por Wagner em Brasília. Esta ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Caso Master.

A cúpula da PF lembra que a prática de divulgação de apreensões foi também adotada em outros casos, como no que envolveu o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que teve cerca de R$ 430 mil apreendidos em dezembro de 2025.

Críticas do Senador

Jaques Wagner expressou seu descontentamento em uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, onde se referiu à divulgação da foto como uma "patacoada". Ele questionou a necessidade de expor as cédulas de dinheiro ao lado do escudo da PF, ressaltando que esse tipo de abordagem é reminiscentemente associada a operações da Lava Jato.

"Se a Polícia Federal vai continuar com esse tipo de espetacularização, é fundamental que o chefe da PF tome providências", afirmou o senador. Ele também ressaltou que a abordagem da PF desrespeitou determinações do ministro do STF, André Mendonça, que orientou que as apreensões fossem feitas de forma discreta.

Solicitações de Wagner ao Governo

Durante a mesma entrevista, Wagner revelou que já havia reclamado diretamente ao presidente Lula sobre a atuação da PF. Ele acredita que a corporação está criando uma narrativa negativa a seu respeito. "Estamos tentando atribuir algo que não existe a mim", disse. O senador pediu que a situação fosse corrigida e não transformada em espetáculo mediático.

Wagner também mencionou que acredita que as cédulas apreendidas foram retiradas do envelope de diárias do Senado e colocadas de maneira a serem fotografadas, o que, segundo ele, distorce a realidade dos fatos. "É muito ruim que a PF transforme uma investigação em um espetáculo", finalizou.