Em uma decisão recente, o Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu a falsidade da assinatura atribuída à apresentadora Ana Hickmann em um contrato com o Banco do Brasil, resultando na exclusão da artista de uma cobrança que ultrapassa R$ 1 milhão. A juíza Camila Sani Quinzani Malmegrin, da 4ª Vara Cível do Foro Regional da Lapa, proferiu a sentença na última quarta-feira, dia 29 de julho.
O caso remonta a um contrato assinado em setembro de 2022, que visava renegociar as dívidas da empresa Hickmann Serviços, relacionadas a um cheque especial e capital de giro. As obrigações de pagamento estavam dispostas em 96 parcelas mensais. Ana Hickmann, ao contestar a autenticidade de sua assinatura, solicitou uma perícia grafotécnica que confirmou a falsidade.
O laudo pericial indicou que as assinaturas analisadas não pertenciam à apresentadora, sendo identificadas como produzidas por outra pessoa. “Com elevado grau de certeza técnico-científica, conclui este perito pela inautenticidade das assinaturas e rubricas examinadas”, diz o laudo, que fez parte da decisão judicial.
Embora o Banco do Brasil não tenha contestado os resultados da perícia, a instituição argumentou que, mesmo com a falsidade da assinatura, a obrigação da Hickmann Serviços permanecia válida. A Justiça acatou a posição do banco e manteve a cobrança em relação à empresa, que ainda é responsável pela dívida.
Outro ponto complexo da situação é a figura de Alexandre Correa, ex-marido de Ana e responsável pela administração dos negócios na época do contrato. Ele também havia assinado o documento e, segundo a sentença, possuía plenos poderes para representar a empresa.
Contexto do Relacionamento e Conflitos
A relação entre Ana Hickmann e Alexandre Correa, que durou aproximadamente 25 anos, chegou ao fim em novembro de 2023. O término foi marcado por acusações de violência doméstica, que Correa nega. Desde a separação, ambos têm travado uma batalha judicial envolvendo o patrimônio, as empresas e as dívidas acumuladas durante o casamento.
Ana alega que Alexandre gerenciava as finanças e que vários empréstimos foram feitos sem sua autorização. A recente decisão judicial corrobora a versão da apresentadora ao atestar que ela não firmou o contrato, liberando-a da responsabilidade pessoal pela dívida.
Outras Questões Legais
Este não é o primeiro reconhecimento de falsidade de assinatura relacionado a Ana Hickmann. Em um processo anterior, o Banco do Brasil buscava cobrar R$ 1.272.427,97 por outra cédula de crédito, mas uma perícia também invalidou a assinatura da apresentadora, levando à extinção da execução da dívida. O banco tentou reverter a decisão, mas a 14ª Câmara de Direito Privado do TJSP manteve o encerramento da ação.
Os dois casos, embora distintos e com intervalos de apenas sete dias entre os contratos, revelam um padrão preocupante de fraudes. Contudo, na mais recente decisão, apenas Ana Hickmann foi liberada da cobrança, enquanto a Hickmann Serviços continua sob responsabilidade pela dívida.
O desfecho dessa situação ainda pode ser impactado por recursos jurídicos, mas por ora, Ana Hickmann vê seus direitos reafirmados pela Justiça, enquanto a disputa com Alexandre Correa se intensifica.




