A Polícia Federal (PF) realizou uma operação no centro financeiro de São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, para investigar um esquema financeiro associado ao ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. A ação foi desencadeada na quinta-feira, 6 de agosto, e incluiu a execução de um mandado de busca e apreensão na sede da Planner, uma gestora de investimentos.

A Planner, que pertence a Maurício Quadrado, ex-parceiro de Daniel Vorcaro no Banco Master, é alvo da investigação devido à suspeita de que dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), conhecidos como Golden Bird e Rhodes, estariam sendo utilizados para ocultar recursos vinculados a Mendes.

O fundo Golden Bird, criado em 2018, passou a ser administrado pela Planner após a liquidação da Sefer Investimentos pelo Banco Central em junho. A PF apurou que o Golden Bird é controlado pelo pai do deputado Fábio Garcia, também do União-MT, e por outro fundo. De acordo com a investigação, o Golden Bird possui 86,3% das cotas do FIDC Lotte Word, que faz parte de uma complexa estrutura de fundos que visa dificultar o rastreamento dos reais proprietários dos recursos.

O fundo Rhodes, inaugurado em junho de 2024 e também sob a administração da Planner, é mais um elemento da rede financeira que está sendo analisada. Ambos os fundos estão enfrentando sequestros de bens e valores, além do bloqueio de contas bancárias, em decorrência das investigações conduzidas pela PF, sob autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Contexto do Caso

A investigação se relaciona a uma cobrança de ICMS não pago pela Oi, que em 2009 totalizava mais de R$ 500 milhões. Embora a operadora tenha realizado o pagamento, reabriu o caso após uma decisão do STF que alterou o panorama legal. O governo estadual, sob a gestão de Mauro Mendes, optou por firmar um acordo, que foi rapidamente sancionado. O escritório de advocacia Ricardo Almeida Advogados Associados adquiriu os direitos creditórios de R$ 389,9 milhões por apenas R$ 80 milhões, um desconto significativo de quase 80%.

Após essa negociação, Mato Grosso concordou em pagar R$ 308,1 milhões pelos mesmos direitos, resultando em uma sobra de aproximadamente R$ 200 milhões. Esses recursos acabaram sendo distribuídos entre diversas camadas de fundos, que beneficiaram não apenas a família de Mauro Mendes, mas também o deputado Fábio Garcia, que é candidato a vice-governador de Mato Grosso na chapa liderada por Otaviano Pivetta, ex-vice de Mendes nas eleições de 2022.

Implicações e Avanços da Investigação

A operação da PF destaca a complexidade dos esquemas financeiros que podem estar operando à sombra de acordos políticos e administrativos, além de levantar questões acerca da transparência nas negociações públicas e a responsabilidade dos envolvidos. O desdobramento das investigações poderá trazer à tona novas informações e implicações legais para os envolvidos.