Irregularidades na Voepass e Anac Sob Investigação
A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quinta-feira (6/8) detalhes sobre as investigações que envolvem a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a companhia aérea Voepass, após um trágico acidente aéreo que ocorreu em agosto de 2024 em Vinhedo, SP, resultando na morte de 62 passageiros e membros da tripulação.
Desde o desastre, que vitimou todos os ocupantes da aeronave, a Anac havia identificado diversas irregularidades em inspeções realizadas antes do acidente. Segundo a PF, essas informações foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de possíveis atos de improbidade administrativa por servidores da agência reguladora.
Indiciamentos e Acusações
Um total de 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass foram indiciados em decorrência do acidente. As acusações incluem atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro aéreo com resultado morte. Entre os indiciados, destacam-se nomes como Edson Serra Martins e Luciano Alves de Macedo, com acusações específicas que variam desde falsidade ideológica até crimes mais graves relacionados à segurança do transporte.
De acordo com o relatório da PF, o voo enfrentou condições meteorológicas adversas, com uma frente fria ativa e formação severa de gelo. Embora a aeronave possuísse sistemas de proteção contra gelo, diversas falhas foram registradas nos dias que antecederam o acidente. As investigações indicam que a tripulação não seguiu corretamente as orientações técnicas para o funcionamento do sistema de degelo, contribuindo para a tragédia.
Cultura de Omissão na Voepass
André Ribeiro, delegado da PF, destacou a existência de uma “cultura organizacional de não-reporte” na Voepass, sugerindo que havia uma prática institucionalizada de omissão de falhas e defeitos. Isto levanta sérias preocupações sobre a segurança operacional da companhia aérea e seu compromisso com os protocolos de segurança.
Durante a coletiva, a PF também revelou que a análise do acidente envolveu a identificação das vítimas, a documentação do local do sinistro e o exame das circunstâncias. Carlos Eduardo Palhares, diretor do Instituto Nacional de Criminalística da PF, elencou as várias frentes de investigação que estão em andamento.
Posicionamento da Voepass
Em resposta às acusações, a Voepass afirmou que sempre cumpriu rigorosamente os protocolos de segurança e manutenção estabelecidos pela Anac. A companhia enfatizou que seus pilotos foram treinados para lidar com condições adversas, incluindo a formação de gelo, e que a segurança operacional sempre foi uma prioridade.
Próximos Passos nas Investigações
A PF continuará a investigação, com a expectativa de que outros indiciamentos e apurações possam ocorrer à medida que mais informações se tornem disponíveis. A sociedade aguarda respostas sobre as falhas que levaram a este trágico acidente e a responsabilização dos envolvidos.




