Recentes ocorrências de mortes de gestantes durante o parto em um hospital da rede pública do Distrito Federal trouxeram à tona questões alarmantes sobre a qualidade dos serviços de saúde na região. A situação se agravou com o novo relatório da Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF), que registrou um aumento significativo nas denúncias e reclamações relacionadas a erros médicos.

Entre janeiro e agosto de 2025, foram contabilizadas 47 manifestações sobre o tema, enquanto neste ano, o número saltou para 64, representando um aumento de 36,17%. A Secretaria de Saúde (SES-DF) contestou esses dados, afirmando que não refletem uma elevação real nos casos de erro médico.

As circunstâncias em torno das mortes de Maria Graciana Andrade Alves e Maria Aparecida Galdino dos Santos, ocorridas no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), destacam falhas preocupantes no atendimento. No primeiro caso, Graciana, de 36 anos, faleceu ao dar à luz, levando a família a relatar possíveis falhas na assistência médica. Já no caso de Aparecida, a equipe médica ignorou o pedido da paciente por uma cesárea, resultando em complicações graves.

Além das mortes recentes, outros incidentes em unidades de saúde do DF evidenciam a crise. Um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brazlândia foi indiciado por homicídio culposo após uma paciente falecer devido a suposta negligência durante o atendimento. Em outro caso, Francisco Vieira, de 69 anos, faleceu horas após receber alta da UPA do Gama, com a família alegando que a demora na realização de exames contribuiu para sua morte.

As consequências desses erros médicos não são apenas trágicas, mas também financeiras para o GDF. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o governo a indenizar uma criança e sua mãe em R$ 150 mil após comprovadas falhas no atendimento, que resultaram em sequelas neurológicas na criança.

A gestão pública da saúde no Distrito Federal tem sido criticada por sua ineficiência na alocação de recursos. Thaynara Melo, especialista em gestão pública, enfatiza que, apesar do alto investimento per capita em saúde, a falta de eficácia na execução dos serviços acaba gerando longas filas de espera e sobrecarga nos profissionais de saúde, aumentando a probabilidade de erros.

Pelo lado do Conselho Regional de Enfermagem do DF, Elissandro Noronha dos Santos destacou a necessidade de um melhor gerenciamento do atendimento emergencial, afirmando que muitos pacientes são mal informados sobre os critérios para atendimento e acabam não recebendo a assistência necessária.

A advogada Juliana Rodrigues Cunha Tavares reforçou que a responsabilidade pelo atendimento adequado em situações de emergência é do Estado, apontando que a questão não se limita a responsabilizar indivíduos, mas sim a melhorar todo o sistema de saúde.

Em suma, o aumento nas denúncias de erros médicos no DF é um reflexo de um sistema de saúde sobrecarregado e ineficiente, que demanda reformas urgentes para assegurar a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes.