No último ano, as canetas emagrecedoras feitas no Paraguai ganharam grande popularidade entre os brasileiros, prometendo uma perda de peso significativa. Contudo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alerta que esses produtos, que incluem marcas como Lipoless e TG, são ilegais no Brasil e não possuem registro na agência.

Essas canetas, que são agonistas de GLP-1, apresentam preços muito mais acessíveis no Paraguai, atraindo consumidores brasileiros em busca de soluções rápidas para a obesidade. Entretanto, a Anvisa destaca que não houve pedido de registro por parte dos fabricantes para regularizar a venda no país, levantando sérias preocupações sobre a eficácia e a segurança desses produtos.

Qualidade e segurança em questão

Uma pesquisa realizada pela Unicamp revelou que as canetas emagrecedoras paraguaias contêm tirzepatida, porém em concentrações irregulares. A Anvisa ainda ressalta que as análises realizadas não verificaram a presença de impurezas, contaminantes ou metais pesados, essenciais para garantir a segurança do paciente. Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, enfatizou que a origem da tirzepatida é desconhecida e que a Dinavisa, equivalente à Anvisa no Paraguai, não oferece a mesma referência de qualidade que a agência brasileira.

Além disso, é importante notar que a tirzepatida tem patentes em outros países, como a China, o que gera dúvidas sobre a procedência do ingrediente nas canetas paraguaias. A falta de rastreabilidade e a ausência de regulamentação adequada colocam a saúde dos consumidores em risco, uma vez que os usuários podem estar injetando substâncias de origem desconhecida em seus corpos.

Contrabando e fiscalização

As canetas estão sendo contrabandeadas para o Brasil em condições precárias, o que agrava ainda mais os riscos associados ao seu uso. Estas fórmulas, que necessitam de refrigeração, são transportadas de maneiras inaceitáveis, como escondidas em pneus de carro. A Anvisa, em conjunto com outras autoridades brasileiras, está trabalhando para combater essa prática, estabelecendo resoluções que proíbem a entrada de medicamentos não registrados no país.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) também se posicionou contra a prescrição de medicamentos não autorizados, alertando sobre os perigos de se utilizar canetas emagrecedoras sem a devida supervisão. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e outras entidades de saúde reforçam que a complexidade na fabricação de agonistas de GLP-1 exige um controle rigoroso de qualidade.

Alternativas seguras e regulamentadas

Para enfrentar a concorrência das canetas paraguaias, a Anvisa está trabalhando na liberação de opções nacionais seguras. Até agora, uma caneta genérica foi aprovada e outras oito devem receber aprovação ainda este ano. A expectativa é que a ampliação das opções disponíveis no mercado brasileiro possa diminuir os preços e oferecer alternativas seguras aos consumidores.

Safatle acredita que, com mais opções regulamentadas, será possível combater o uso de produtos contrabandeados, garantindo assim a segurança da população. O avanço no registro de canetas emagrecedoras no Brasil é visto como uma estratégia crucial para proteger os pacientes e regularizar o mercado.