A Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica) analisa o potencial dos data centers no Brasil como uma solução para o desbalanceamento entre a oferta e o consumo de energia elétrica. De acordo com a empresa, a instalação de novos consumidores e cargas pode ser benéfica para o sistema elétrico, principalmente com o aumento da geração de energia renovável em áreas distantes dos principais centros urbanos.

Em declaração feita na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, durante uma visita à subestação de energia em Assis, São Paulo, Maurício Dall'Agnese, diretor de negócios e gestão de participações da Taesa, enfatizou que a incorporação de novos consumidores ajudaria a aproximar o consumo dos locais onde a geração é mais abundante. "Atualmente, há um desbalanceamento entre a energia gerada e a consumida. Portanto, adicionar novos consumidores é uma estratégia importante para equilibrar o sistema", explicou.

Dall'Agnese também destacou a importância das regiões Norte e Nordeste do Brasil, que abrigam projetos significativos de geração eólica e solar, como locais ideais para a instalação de data centers. A expansão desses centros de dados pode não apenas contribuir para um melhor equilíbrio energético, mas também estimular o desenvolvimento econômico nessas áreas.

Recentemente, o Senado aprovou, no dia 1ª de setembro de 2026, um projeto de lei que institui o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), que oferece incentivos fiscais para empresas que decidirem construir ou expandir suas operações no Brasil. A proposta, que aguarda sanção presidencial, exige que 100% da demanda elétrica dos data centers beneficiados seja suprida por fontes renováveis ou de baixa emissão.

Com o crescimento da inteligência artificial, Dall'Agnese acredita que há uma oportunidade ainda maior para a descentralização das operações de data centers. "Os data centers de inteligência artificial possuem flexibilidade para serem instalados em regiões mais remotas, como o Nordeste, onde há abundância de geração eólica e solar", disse ele, em contraste com os centros de dados tradicionais que normalmente estão localizados próximos a grandes centros urbanos.

A Taesa opera com uma vasta rede, contabilizando 16.600 km de linhas de transmissão distribuídas em 19 estados brasileiros, incluindo importantes regiões do Sul e do Nordeste. A análise do impacto da construção de data centers sobre a rede elétrica é uma das prioridades da companhia, que busca soluções para um futuro mais sustentável.