A turbulência que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e atualmente detido, pode ter um impacto significativo nas eleições presidenciais de 2026, especialmente para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa análise é de Renato Meirelles, líder do Instituto Locomotiva, que argumenta que essa crise tem beneficiado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Meirelles explica que a situação atual ameniza as dificuldades enfrentadas por Flávio ao colocar Moraes, responsável pela prisão de Jair Bolsonaro, em uma posição delicada. Isso pode fortalecer a narrativa de que há uma conspiração contra a família Bolsonaro. “A conexão entre o juiz e o caso do pai de Flávio oferece munição para essa narrativa”, afirmou Meirelles.
Além disso, ele ressalta que os áudios em que Flávio pede apoio financeiro para o filme "Dark Horse", que retrata a trajetória de seu pai, podem perder parte de seu peso negativo, pois Moraes também se vê vinculado a Vorcaro. “Essa situação nivela o juiz e Flávio, dando a impressão de que ambos estão na mesma esfera de influência”, explicou.
Outro aspecto importante mencionado por Meirelles é que essa crise pode reforçar a imagem de Flávio como um candidato que se opõe ao establishment político. “Essa narrativa de ser um candidato antissistema ganha força”, afirmou, acrescentando que a polarização política atual potencializa esse efeito. Para muitos eleitores, Moraes é percebido como parte da oposição ao bolsonarismo, e, por consequência, aliado ao grupo de Lula.
“Na visão do eleitorado polarizado, se você está contra Bolsonaro, automaticamente é visto como a favor de Lula. Essa é a lógica que predomina entre metade dos eleitores mais envolvidos na polarização”, destacou.
Por outro lado, a ascensão do psiquiatra Augusto Cury (Avante), que alcançou 10% nas intenções de voto, revela a existência de uma parte do eleitorado cansada da divisão política, mas que ainda está disposta a dialogar com a política. Meirelles observa que essa fatia, conhecida como eleitores “nem-nem”, não é homogênea. “A análise anterior não considerava a diversidade desse grupo. Há uma parte que está exausta, mas que ainda se interessa pela política”, disse.
Ele mencionou que candidatos como Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm tentado conquistar esses eleitores, mas com foco na revolta. Em contraste, Cury tem atraído aqueles que se sentem cansados da polarização. “Cury consegue dialogar com o eleitor que não está bravo, mas cansado da situação política atual”, afirmou Meirelles.
No entanto, Meirelles não acredita que Cury tenha espaço significativo para expandir seus apoiadores além do que já conquistou. “Ele pode perder votos quando for alvo de ataques mais contundentes de adversários”, previu. Além disso, no cenário de um eventual segundo turno, a transferência de votos de Cury para outros candidatos não seria garantida. “Atualmente, esse eleitor tende a não se engajar, preferindo não votar a escolher um dos lados”, concluiu.




