Em uma iniciativa histórica, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central (BC) anunciaram na última quarta-feira (12 de agosto) a criação de um novo sistema para registrar e rastrear a transferência de créditos de precatórios. O acordo foi selado pelo presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O objetivo principal desse sistema inovador é proporcionar maior transparência e segurança nas operações de compra e venda de precatórios, reduzindo consideravelmente os riscos de fraudes, inconsistências e registros duplicados.
Os precatórios representam dívidas que a União, estados e municípios têm para com os cidadãos, decorrentes de decisões judiciais definitivas. No caso de atrasos nos pagamentos, é comum que os credores optem por vender seus direitos a terceiros, o que torna a rastreabilidade vital para garantir que a transação ocorra de forma segura.
A nova estrutura permitirá que se identifique facilmente quem é o titular de cada crédito, além de possibilitar a consulta sobre o histórico das transferências, desde a negociação inicial até o pagamento final. Essa medida visa assegurar que a circulação dos precatórios ocorra dentro de um ambiente jurídico seguro e transparente.
Como Funciona o Novo Sistema
Um grupo executivo interinstitucional, composto por técnicos do CNJ e do BC, será responsável por desenvolver as bases necessárias para o novo sistema. Este grupo terá a incumbência de definir os padrões normativos, tecnológicos e operacionais para a criação da estrutura.
O sistema integrará informações de vários participantes do mercado de precatórios, incluindo tribunais, cartórios de notas e outras entidades competentes para registrar essas operações financeiras. Cada transferência será registrada e vinculada à anterior, permitindo acompanhar a trajetória do precatório e identificar seu atual titular.
Essa abordagem também busca prevenir situações em que um mesmo crédito seja negociado ou registrado de maneira conflitante em diferentes sistemas. Com uma base de dados integrada, tribunais e outras partes interessadas terão acesso a informações mais confiáveis sobre a situação dos ativos.
Contribuições do Banco Central e do CNJ
O Banco Central desempenhará um papel crucial na definição dos requisitos técnicos e operacionais necessários para o funcionamento do sistema, além de ajudar na criação da infraestrutura eletrônica adequada. Por sua vez, o CNJ ficará encarregado da governança da política judiciária relacionada aos precatórios, estabelecendo padrões vinculados ao Sistema de Gestão de Precatórios (SisPreq).
Gabriel Galípolo destacou a importância da integração das informações provenientes de diferentes órgãos para criar um ambiente mais confiável e seguro. A presença do Estado, nesse contexto, é vista como um passo necessário para garantir que o mercado funcione de maneira mais eficiente e segura.
Embora o sistema ainda esteja em fase de desenvolvimento, o grupo executivo trabalhará na definição de padrões de interoperabilidade entre as bases de dados e na formulação de um plano para a implementação gradual da estrutura nacional. Essa iniciativa se alinha aos esforços do CNJ para modernizar e padronizar a gestão dos precatórios no Brasil.




