A China está implementando uma série de medidas para melhorar sua produção agrícola, buscando reduzir sua dependência de importações de alimentos. Recentemente, o país adquiriu mais de meio milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos para o ano comercial seguinte, embora esse volume represente uma fração das suas necessidades totais. Em outubro do ano passado, a China havia firmado um acordo para comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja anualmente dos EUA até o final de 2028.
O 15º Plano Quinquenal da China enfatiza a necessidade de aumentar a produção interna de alimentos, mas, devido a limitações de recursos como terra e água, a substituição total das importações ainda é um grande desafio. A soja, em particular, é essencial para a alimentação de rebanhos de suínos, aves e peixes, setores que são cruciais para a segurança alimentar do país.
A busca pela autossuficiência é impulsionada por um cenário global instável. A guerra na Ucrânia, por exemplo, evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimento agrícola e as consequentes interrupções nas rotas comerciais. Isso, aliado a conflitos comerciais e às mudanças climáticas, torna a questão da segurança alimentar uma prioridade nacional para a China.
Com aproximadamente 18% da população mundial, a China possui apenas 7% das terras aráveis do planeta. Essa combinação de fatores foi destacada por especialistas, que alertam que, mesmo com as metas do 15º Plano Quinquenal, que incluem o aumento da produtividade agrícola e a modernização tecnológica, a dependência de importações pode continuar, especialmente para a soja e outros produtos.
O plano prevê que a proporção de terras agrícolas de alta qualidade aumente, bem como o desenvolvimento de sementes mais resistentes e a implementação de práticas agrícolas mais inteligentes. A China também está investindo em tecnologia, como biotecnologia e irrigação eficiente, na expectativa de modernizar suas práticas agrícolas e aumentar a produção.
Outra estratégia da China é diversificar seus fornecedores. A combinação do aumento da produção interna com a diversificação das fontes de importação é vista como crucial para a segurança alimentar. Países da ASEAN, que tradicionalmente exportam produtos agrícolas para o mercado chinês, podem enfrentar desafios com essa mudança de demanda.
A análise indica que, enquanto a China procura aumentar sua autossuficiência em produtos como arroz e carne suína, ainda dependerá de importações de soja e laticínios. Isso resultará em uma pressão competitiva maior sobre os fornecedores de alimentos da região, mas também abrirá novas oportunidades de mercado para produtos de maior valor agregado.
Além disso, a China está emergindo como um fornecedor de tecnologia agrícola, oferecendo inovações que podem beneficiar outros países da ASEAN. Isso poderia não apenas fortalecer as relações comerciais, mas também potencialmente posicionar a China como um centro global de tecnologia agrícola moderna.
Embora as iniciativas da China sejam ambiciosas, especialistas afirmam que a plena independência em relação às importações de alimentos ainda é um objetivo a longo prazo e que a transição para um mercado mais seletivo de alimentos de qualidade pode ser um passo positivo no fortalecimento da segurança alimentar.



