O presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Olavo Noleto, expressou preocupações sobre a atual taxa de juros no Brasil, considerando-a um obstáculo significativo para o setor produtivo. Em uma entrevista ao site Poder360, Noleto afirmou que a taxa Selic, atualmente em quase 15%, é insustentável e não condiz com as condições macroeconômicas do país.
Segundo Noleto, é fundamental que os juros sejam reduzidos, pois a alta taxa afeta diretamente a competitividade da indústria brasileira. "O meu papel como presidente da ABDI é defender a indústria, e o juro de quase 15% na Selic é um absurdo", declarou ele.
No último dia 5 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passou de 14,25% para 14% ao ano. Apesar dessa leve diminuição, Noleto enfatiza que ainda há muito espaço para cortes mais significativos que beneficiariam o setor.
Guerra Comercial e Tarifas dos EUA
O presidente da ABDI também abordou a recente imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos a diversos setores brasileiros, classificando a situação como uma "guerra comercial". Noleto destacou que o Brasil não pretende enfraquecer suas relações com os EUA, mas sente que a postura do governo americano está prejudicando o diálogo. "O segundo escalão do governo norte-americano tem sido irresponsável, atribuindo mentiras ao Brasil para justificar uma guerra comercial", afirmou.
Noleto acredita que, do ponto de vista geopolítico, a tensão criada pelas tarifas dos EUA pode fortalecer o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. "Essa confusão que os EUA estão armando no mundo, do lado europeu, ajudou a acelerar o processo. Para o Brasil, é uma oportunidade clara", avaliou.
Futuro do Trabalho e a Proposta de Emenda à Constituição
Outro ponto abordado na entrevista foi a proposta de fim da escala 6 X 1, que Noleto considera vital para a defesa da economia brasileira. Ele afirma que a proposta deve ser aprovada no Senado, com a necessidade de ajustes em setores específicos. "Se o Brasil não avançar na escala de trabalho, ninguém vai querer ser CLT", alertou.
O presidente da ABDI ressaltou que é essencial tornar a carteira assinada um atrativo para os jovens, afirmando que a saúde do sistema econômico depende disso. "Se o sistema quebrar, a economia brasileira será severamente impactada. Precisamos fortalecer o emprego e a contribuição previdenciária", disse.
Privatizações e o Papel do BNDES
Noleto também comentou sobre a proposta do candidato à presidência pelo Novo, Romeu Zema, de privatizar a Petrobras e o BNDES, criticando esta ideia. Ele ressaltou que a venda dessas instituições seria um golpe fatal para a indústria, que atualmente depende do financiamento que obtém através do BNDES. "A indústria não suportaria a venda do BNDES e da Petrobras. Sem eles, não conseguiríamos os recursos que precisamos", concluiu.



