Desânimo e Tensão no MPF Após Menção a Gonet
Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) relataram um clima de desânimo e apreensão, após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ser mencionado em um relatório da Polícia Federal (PF) que investiga Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento também faz referência ao ministro Alexandre de Moraes, gerando preocupação sobre a condução das investigações.
A avaliação feita por membros da cúpula do MPF, que preferiram não se identificar, é de que o pedido de Gonet pela nulidade das investigações é impróprio. Eles argumentam que o caso deveria ser encaminhado ao vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, e que a decisão final cabe ao próprio Gonet, que optou por permanecer à frente do processo.
Relação Controversa com Vorcaro
O relatório da PF revela que Gonet e Vorcaro estabeleceram uma relação a partir de um evento financiado pelo Banco Master em Londres. Mensagens trocadas com o advogado Ciro Soares indicam que Gonet solicitou a disponibilização de “charutos” e “whisky Macallan”, além de pedir que Vorcaro custeasse a viagem de seu filho ao exterior.
Em março de 2026, o Poder360 já havia noticiado sobre a degustação patrocinada pelo Banco Master, que contou com a participação de autoridades do Judiciário, incluindo Gonet e o chefe da PF, Andrei Rodrigues.
Desdobramentos da Investigação
Após a retirada do sigilo das investigações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet rapidamente pediu a nulidade do inquérito. O ministro encaminhou o caso para discussão no plenário do STF, e a responsabilidade de pautar a questão recai sobre o presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin.
O clima no MPF se deteriorou ainda mais após essa solicitação, visto que muitos de seus membros consideram que Gonet agiu precipitadamente ao solicitar a nulidade. Um dos pontos de crítica é que ele usou como argumento o fato de Mendonça ter solicitado investigações por ofício, um posicionamento que contrasta com o que Gonet havia defendido anteriormente no inquérito das fake news, onde o ministro Alexandre de Moraes também fez solicitações semelhantes.
Bastidores e Questões Legais
Fontes consultadas pela reportagem indicaram que a Lei Orgânica do Ministério Público da União pode ser aplicada neste caso, que determina que investigações que envolvam crimes comuns atribuíveis ao procurador-geral devem ser tratadas pelo Conselho Superior. Esse conselho tem a incumbência de designar um subprocurador-geral para atuar de forma isenta.
Ademais, há uma crescente pressão dentro do MPF para que o próximo procurador-geral seja escolhido a partir de uma lista tríplice, buscando maior autonomia e independência institucional. A avaliação é que Gonet não pode permitir que a crise atual se transforme em um problema institucional mais amplo, especialmente considerando sua relação com o STF.
Procurados Para Comentários
O Poder360 procurou o procurador-geral Paulo Gonet, o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para comentários sobre as mensagens e o relatório da PF, mas até o fechamento desta edição não obtivemos respostas. O portal continuará tentando contato e atualizações serão feitas à medida que novas informações surgirem.
Relatório da PF e Operação Compliance Zero
As informações contidas no relatório de 218 páginas foram obtidas a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. O objetivo da operação é investigar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi detido na primeira fase da operação, no dia 18 de novembro de 2025.
O documento, elaborado a pedido do ministro André Mendonça, busca identificar possíveis redes de influência associadas a Vorcaro. A PF entregou o relatório em 27 de agosto de 2026, e ele se tornou público após a decisão do ministro em retirar o sigilo das investigações.




