Em um depoimento à Polícia Federal, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou que a fusão proposta entre o Master e o Banco de Brasília (BRB) obteve encorajamento por parte do Banco Central, incluindo seu presidente, Gabriel Galípolo. As declarações foram feitas em 28 de agosto de 2026 e divulgadas em reportagem dos jornalistas André Shalders e Isadora Teixeira, do portal Metrópoles, nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026.
A informação surge exatamente um ano após a rejeição da fusão pelo Banco Central, que, após intensas negociações, decidiu não aprovar a operação em 2025. Quando questionado sobre a posição do funcionário do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, Vorcaro foi incisivo ao afirmar que a cúpula da instituição demonstrou apoio à fusão no final de 2025. Ele citou especificamente Ailton Aquino e Galípolo como aliados na causa.
“Eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo. Não apenas do Paulo Sérgio, mas também do diretor Ailton e do presidente Galípolo. A cada reunião, havia um clima de concordância e incentivo para a conclusão da fusão”, declarou Vorcaro ao delegado Albert Paulo Sérvio de Moura.
Ele ainda acrescentou que as reuniões mantidas com o Banco Central tinham um caráter propositivo, onde eram discutidos ajustes que poderiam facilitar a aprovação da fusão. “Após cada pedido que apresentamos, as reuniões eram sempre voltadas para a organização e resolução dos pontos que poderiam levar à aprovação da fusão”, afirmou.
Apesar da fusão não ter se concretizado, o BRB chegou a adquirir carteiras de crédito problemáticas do Banco Master, no valor de R$ 12 bilhões. Essa transação, no entanto, resultou em um prejuízo significativo que o banco público agora precisa enfrentar, complicando ainda mais sua situação financeira.
Vorcaro prestou seu depoimento por videoconferência enquanto se encontrava detido na Papudinha, no contexto da Operação Compliance Zero. Ele estava acompanhado de seus advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado.
O Poder360 buscou um posicionamento da defesa de Vorcaro, que optou por não comentar as alegações feitas no depoimento. A reportagem também tentou contato com Paulo Sérgio Neves de Souza, Gabriel Galípolo e Ailton Aquino, além da assessoria do Banco Central, mas não obteve resposta até a publicação deste artigo. O texto será atualizado conforme novas informações forem disponibilizadas.




