Promoção sem a Experiência Necessária

Um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o trágico acidente do voo da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, revelou que o comandante Danilo Romano foi promovido sem possuir a experiência necessária. De acordo com os documentos da investigação, a própria Voepass exigia que seus comandantes tivessem mil horas de voo em aeronaves ATR, norma que Romano não cumpria.

Antes de se juntar à Voepass, Romano havia trabalhado com aeronaves Airbus na Avianca. O comandante Marcelo Mantovani, que também prestou depoimento à PF, afirmou que ele e outros pilotos promovidos na mesma época tinham experiência em jatos, mas não no modelo ATR, a aeronave em que Romano assumiu o comando.

Responsabilidades e Pressões Internas

A promoção de Romano ocorreu sob a supervisão de Rafael Gimenez Rodrigues, piloto-chefe da companhia, que tinha um papel fundamental na definição dos critérios de promoção e treinamento. Mantovani atribuiu a responsabilidade da ascensão de Romano diretamente a Gimenez, ressaltando que as normas de Procedimentos Operacionais da Voepass foram ignoradas.

O comandante Luiz Cláudio de Almeida também corroborou essa versão, revelando que Romano havia mencionado ter conseguido a promoção acelerada devido à sua proximidade com a alta administração, destacando uma relação de “amizade e favores”. Segundo Almeida, Romano foi questionado sobre a validade de seu passaporte e, logo em seguida, designado para o comando, após a realização de um treinamento em simulador.

Consequências da Falta de Experiência

A PF concluiu que a falta de experiência específica de Romano teve um papel crucial na condução do voo 2283, ligando a promoção à gestão de interesses internos que buscavam ocultar falhas, como problemas no sistema de degelo da aeronave. O relatório não apenas destaca a promoção irregular, mas também sugere que essa ascensão rápida pode ter sido utilizada para garantir a conformidade de Romano com práticas que evitavam o registro de problemas operacionais.

Implicações para a Voepass

Este episódio levanta sérias questões sobre as práticas de gerenciamento da Voepass e a segurança operacional na aviação civil. A falta de transparência e o desvio das normas de segurança podem ter contribuído para a tragédia, colocando em risco a vida de passageiros e tripulantes. A companhia aérea, agora sob investigação, enfrenta um escrutínio intenso sobre suas operações e políticas de treinamento.