Futebol e Violência: Uma Conexão Preocupante
Um estudo recente, intitulado "Futebol e Violência contra a Mulher", trouxe à tona dados preocupantes sobre o aumento da violência de gênero em dias de jogos. Realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o levantamento foi divulgado nesta terça-feira, 11 de agosto, e abrangeu o período de 2023 a 2025, focando em partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e Copa Sul-Americana.
Os dados revelam um aumento de 27,8% nas ameaças e de 28,8% nas lesões corporais dolosas contra mulheres nos dias em que ocorrem partidas. Essa é uma elevação significativa em comparação com a primeira edição do estudo, que registrou um aumento de 23,7% de ameaças e 20,8% de lesões entre 2015 e 2018.
Cidades em Foco
A pesquisa abrangeu cinco capitais brasileiras: Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os resultados indicam que a violência não é gerada pelo futebol, mas que o ambiente esportivo catalisa comportamentos violentos já presentes na sociedade. Juliana Brandão, pesquisadora do FBSP, enfatiza a naturalização da masculinidade associada à violência que permeia o universo do futebol.
Raí, ex-jogador e ícone do esporte, destacou que é essencial reconhecer que o futebol reflete a sociedade em que vivemos, especialmente em questões como racismo e machismo. "É um reflexo da sociedade piorado", afirmou Raí, ao comentar sobre a cultura machista que ainda prevalece.
Dados Alarmantes sobre a Violência
- 27,4% de aumento nos registros de ameaças em dias de jogos.
- 28,8% de aumento nas lesões corporais por violência doméstica.
- 44% dos registros de ameaças e lesões são entre jovens de 15 a 29 anos.
- 35,1% dos casos de lesão ocorrem em residências.
- 26,8% dos registros de ameaças são entre mulheres negras.
- 14,6% de aumento nas ameaças contra mulheres brancas.
Um Chamado à Ação
Em resposta ao cenário alarmante, Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da Magalu e apoiadora do projeto, expressou a urgência de ações concretas. "Nosso problema não é acabar com os homens, mas salvar as mulheres", afirmou durante a apresentação dos dados, realizada em uma área próxima ao local onde uma mulher foi assassinada recentemente, destacando a gravidade da questão.
Propostas para Combater a Violência
O estudo também traz recomendações para enfrentar a violência contra mulheres no ambiente do futebol, incluindo:
- Estabelecimento de postos permanentes de acolhimento e registro de denúncias em todos os setores dos estádios.
- Articulação entre poder público, clubes, federações e torcidas para ações permanentes sobre violência e masculinidades.
- Monitoramento da violência doméstica com foco na aplicação efetiva das medidas protetivas.
- Promoção de educação sobre masculinidades para desconstruir padrões de dominação de gênero.
- Desenvolvimento de programas de prevenção em relação ao consumo de álcool e apostas que impulsionam a violência.
A situação exige um olhar atento e ação contínua de todos os envolvidos no esporte e na sociedade como um todo, para que se possa criar um ambiente seguro e respeitoso para todas as mulheres.




