Registros audiovisuais divulgados pela imprensa expõem a proximidade entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As imagens mostram ambos em momentos de descontração no sofisticado centro de esqui de Courchevel, localizado nos Alpes Franceses, acompanhados de suas respectivas namoradas, Flávia Rosalen e Martha Graeff.
Segundo as informações reveladas pela revista Piauí, a estadia de alto padrão ocorreu entre os dias 12 e 25 de janeiro de 2025. O custo total do passeio é estimado em cerca de R$ 2 milhões, valor que teria sido integralmente coberto pelo banqueiro. Durante os 13 dias de hospedagem em um hotel de luxo na Europa, as contas registradas para o parlamentar e sua acompanhante somaram montantes expressivos de R$ 63 mil e R$ 58 mil.
Investigação policial e suspeita de repasses
A divulgação das filmagens ocorre em um momento delicado para o presidente nacional do Progressistas. Em maio de 2026, Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no escopo da Operação Compliance Zero. A ação marcou o momento em que as apurações sobre supostas irregularidades financeiras do Banco Master atingiram diretamente a esfera política de Brasília.
As apurações das autoridades indicam a existência de supostos pagamentos periódicos ao congressista, com cifras mensais que oscilavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, identificadas em interceptações telefônicas. Em sua defesa, a equipe jurídica do senador nega veementemente qualquer conduta ilícita ou irregularidade no exercício do mandato, criticando a adoção de medidas investigativas invasivas com base em mensagens de terceiros.
Articulação parlamentar e impacto financeiro
Além das suspeitas sobre transferências de valores, a Polícia Federal investiga a atuação do parlamentar na elaboração de textos legislativos. A tese dos investigadores sugere que uma proposta formulada pela assessoria do próprio banco foi encampada por Nogueira e apresentada como a Emenda 11 à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2025, texto que debate a autonomia do Banco Central.
A alteração buscava ampliar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida, contudo, acabou rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), que considerou a proposta incompatível com as práticas regulatórias dinâmicas do setor financeiro. Apesar da rejeição inicial, o texto voltou a ser reapresentado pelo parlamentar em maio de 2026.
A relevância do caso se amplia diante do déficit bilionário deixado pela instituição no sistema bancário. O conglomerado do Banco Master foi responsável por gerar um impacto de R$ 51,8 bilhões no FGC, a despeito de deter uma fatia inferior a 1% do total de ativos e captações do mercado nacional. A assessoria de imprensa de Ciro Nogueira foi procurada para comentar o conteúdo das imagens, mas ainda não se manifestou.
