O porto de La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela há seis dias, se tornou um local improvisado para a coleta de corpos. Com a devastação gerada pelos tremores, os corpos retirados dos escombros de edifícios colapsados estão sendo levados para o local, onde familiares enfrentam a difícil tarefa de identificar seus entes queridos.

Na última segunda-feira (29), médicos legistas, vestidos com jalecos azuis, perambulavam entre sacos mortuários empilhados e caixões de madeira dispostos no chão. A cena é de desolação: ao lado de uma tenda que centraliza as operações, há uma quantidade significativa de caixões vazios, enquanto escombros se acumulam nas proximidades, como reportado por jornalistas da agência AFP.

Impacto dos terremotos e a situação em La Guaira

A sequência de terremotos, que ocorreu na quarta-feira, com magnitudes de 7,2 e 7,5, devastou a região costeira de La Guaira, adjacente à capital, Caracas. Esta área é crucial para o país, e a tragédia já resultou em um número oficial de 1.719 mortos, um total que continua a aumentar à medida que os resgates prosseguem. Os legistas estão sobrecarregados, e os necrotérios dos hospitais locais rapidamente chegaram à capacidade máxima devido à grande quantidade de óbitos.

Familiares, como Wilker Molalla, de 25 anos, estão enfrentando longas horas de espera para identificar os corpos de seus entes queridos. Ele compartilha a angústia de que sua irmã e os filhos dela estão entre os desaparecidos, enquanto ele e seu irmão foram os únicos sobreviventes de sua família de 11 pessoas.

Identificação e os desafios enfrentados

As filas no porto são extensas, e muitos familiares aguardam ansiosamente para entrarem e reconhecerem os corpos. Flores coloridas nas mãos expressam a tristeza e a esperança de encontrar aqueles que amam. A crítica em relação à falta de staff para atender a essa emergência é constante, refletindo a insatisfação com a gestão da crise.

Médicos e técnicos forenses trabalham sob tendas improvisadas, lidando com os cadáveres ao ar livre. Algumas práticas, como a cobertura de corpos com cal, geram discussões entre os especialistas quanto à sua necessidade. O procedimento de emissão de certificados de óbito e autorizações para cremação é realizado no local, onde também há um caminhão destinado à coleta de amostras para autópsias.

ONU e ajuda humanitária

A Organização das Nações Unidas anunciou que fornecerá ao governo venezuelano 10 mil bolsas mortuárias em resposta à catástrofe. Além disso, funerárias privadas estão oferecendo serviços gratuitos de transporte e cremação. As equipes funerárias aguardam do lado de fora do porto, prontas para atender às demandas das famílias enlutadas.

Indivíduos como Darwin Silva, de 37 anos, estão enfrentando o sofrimento pessoal, como o transporte do corpo de sua mãe, que foi encontrada sob escombros em um edifício do programa habitacional emblemático do governo. A situação revela a fragilidade das estruturas, que, em um esforço de modernização, agora se tornaram símbolos da crise humanitária que a Venezuela enfrenta.

As histórias de perda e resiliência se entrelaçam nas narrativas de quem sobreviveu aos tremores. Jenny Contreras, de 28 anos, e sua família estão dormindo em um colchão na rua, sem poder retornar a seus lares evacuados, enquanto a destruição se espalha pelas residências, com grandes rachaduras visíveis e edifícios à beira do colapso.